Colorações: pintando e retirando

Já vai fazer 3 anos que eu parei de tingir o cabelo. E lembro que um mês antes de eu decidir parar eu tentei tonalizar meu cabelo com henna. Foi um desastre, claro. Meu cabelo estava com tintura permanente e eu joguei um tonalizante que desbotou logo mas só saiu com corte, mais de um ano depois.

Então achei que faltava explicar pra quem ainda não sabe – e está no processo de assumir os gris – como funciona cada tipo de coloração e a possibilidade de remoção.

1 – Tinturas Permanentes

(ex: Imedia da L’Oreal, Nutrisse da Garnier, Majirel da L’Oreal, Koleston da Wella, Beauty Color, etc)

Tinturas geralmente são formadas por um kit com 2 ou 3 produtos para serem misturados: um pigmento com metais pesados (arsênio, chumbo, cádmio e outros), um revelador com amônia (às vezes água oxigenda) e um hidratante que pode ser adicionado na mistura ou aplicado após a lavagem. Você mistura os ingredientes, aplica nos fios, aguarda pelo menos 30 minutos e depois enxagua.

Elas possuem cores vivas e desbotam pouco com a lavagem. Isso porque elas trabalham na parte de dentro dos fios de cabelo, onde o shampoo não chega, trocando a cor original do fio pelo pigmento. Por ser um procedimento agressivo não é aconselhada para cabelos muito finos, não reage bem com outros processos químicos, tende a ressecar o cabelo e mudar sua estrutura (os cabelos muitas vezes “perdem a forma natural”). Por isso também são tão difíceis de remover – se você tingir e se arrepender vai ter que usar produtos pesados de decapagem (Efaçor ou Dekap Color) para retirar UM POUCO da coloração ou apelar para o descolorante – o que geralmente danifica demais o cabelo. Para quem quer abandonar a tintura de vez, dependendo da quantidade de vezes que você já cobriu seus fios com esse tipo de coloração (geralmente anos de uso), a única solução é mesmo o corte.

2 – Tonalizantes Semi-Permanentes

(ex: Casting Creme Gloss da L’Oreal, Soft Color da Wella, Maxton da Embelleze, Color Touch da Wella, etc)

Tonalizantes semi-permanentes geralmente são formados por um kit com 2 ou 3 produtos para serem misturados: um pigmento com metais pesados ou não (arsênio, chumbo, cádmio e outros), um fixador sem amônia e um hidratante que pode ser adicionado na mistura ou aplicado após a lavagem. Você mistura os ingredientes, aplica nos fios, aguarda pelo menos 30 minutos e depois enxagua.

As cores são mais “nuances” e desbotam de forma progressiva com a lavagem. Isso porque eles trabalham na parte de fora dos fios de cabelo, onde o shampoo chega, fazendo uma “capa” no fio com pigmento. Pode ser usado em cabelos muito finos, reage bem com grande parte dos processos químicos, pode ressecar um pouco o cabelo mas não muda sua estrutura. Por ter um fixador tende a impregnar no cabelo deixando a retirada bem difícil, levando muitos meses para sair completamente – se sair.  Se você tonalizar e se arrepender não adianta fazer decapagem (Efaçor ou Dekap Color) uma vez que neste caso o pigmento não está dentro do fio, onde esses produtos fazem efeito. O que funciona é lavar muito o cabelo com shampoo anti-resíduos ou sabão de coco para retirar gradativamente a coloração (o que geralmente danifica demais o cabelo), ou apelar para nova tonalização e, em último caso, descoloração. Para quem quer abandonar a tintura de vez, dependendo da quantidade de vezes que você já cobriu seus fios com esse tipo de coloração, tem que ter paciência para esperar sair com as lavagens – só que até sair completamente seu cabelo já vai ter se renovado todo.

3 – Tonalizantes temporários ou fantasia

(ex: C-Kamura Color Intense, Keraton Banho de Brilho, Color Touch da Wella (também pode ser usado com revelador), Jeans Colors, máscaras matizadoras Lola, Dedicace da L’Oreal, Henna da Surya)

Tonalizantes temporários ou fantasia (como são chamados os coloridos) geralmente são formados por apenas 1 produto: um pigmento com metais pesados ou não (arsênio, chumbo, cádmio e outros) para ser aplicado nos fios secos ou úmidos, aguardar pelo menos 5 minutos e depois enxaguar.

As cores são apenas “brilhos” e desbotam mais rapidamente com a lavagem do que o tonalizante semi-permanente. Isso porque eles trabalham na parte de fora dos fios de cabelo, onde o shampoo chega, fazendo uma “capa” no fio com pigmento. Pode ser usado em cabelos muito finos, reage bem com todos os processos químicos, dificilmente ressecam o cabelo e não mudam sua estrutura. Por não ter fixador perde a cor original com poucas lavagens, levando alguns meses para sair completamente – mas dependendo do seu cabelo pode não sair (henna, por exemplo, não sai).  Se você tonalizar e se arrepender não adianta fazer decapagem (Efaçor ou Dekap Color) uma vez que neste caso o pigmento não está dentro do fio, onde esses produtos fazem efeito. O que funciona é lavar muito o cabelo com shampoo anti-resíduos ou sabão de coco para retirar gradativamente a coloração (o que geralmente danifica demais o cabelo), ou apelar para nova tonalização e, em último caso, descoloração. Para quem quer abandonar a tintura de vez tem que ter paciência para esperar sair com as lavagens, mas saiba que seu cabelo pode ficar manchado por um bom tempo.

RESUMINDO

  • Tinturas cobrem bem os brancos mas mexem na estrutura dos fios e NÃO SAEM. Desbotam com decapagem.
  • Tonalizantes semi-permanentes cobrem de forma mediana os cabelos brancos, não mexem na estrutura dos fios, demoram muito para sair e podem até NÃO SAIR MAIS. Decapagem não funciona, shampoo anti-resíduos sim.
  • Tonalizantes temporários cobrem os cabelos brancos por tempo muito reduzido, não mexem na estrutura dos fios, tendem a sair em alguns meses, podem manchar o cabelo e até NÃO SAIR MAIS. Decapagem não funciona, shampoo anti-resíduos sim.
  • O que influencia muito o resultado da aplicação ou da retirada da coloração do cabelo é a saúde e o tipo dos fios:
    • Fios finos tendem a reagir mal a qualquer tipo de química, já que quando perdem massa ou hidratação se quebram logo e ficam espigados.
    • Fios brancos são literalmente telas em branco, então tendem a “chupar” a química com intensidade, deixando a remoção bem mais difícil.

Meu conselho:

Procure processos que não usem ou usem o mínimo possível de metais pesados (cádmio, chumbo, arsênio, etc), derivados de minerais (petróleo ou petrolatos, silicones, parafina, etc), sulfatos (sais agressivos), amônia  e água oxigenada.

Quanto mais processos químicos você fizer sobre seus fios, mais danificados eles vão ficando. Vão desidratar, depois perder a forma, então perderão massa ficando quebradiços até espigar e ficar com aquela aparência de bruxa – pensa bem, não vale a pena.

Quer colorir? Se informe sobre o produto que você está usando e trate bem seu cabelo antes e depois. Produtos mais saudáveis são ligeiramente mais caros mas te poupam a grana da hidratação/cauterização/reconstrução constante no salão.

Quer parar de colorir? Tenha paciência, aposte na maquiagem para cabelos enquanto a raiz cresce e tire os resquícios com a tesoura.

Lembre-se: o que você passar vai ficar. ;)

“Seja inovadora – mas não muito”

Tenho 34 anos e desde 2014 assumi meus cabelos brancos – e são muitos!

Quando decidi assumir percebi que temos pouquíssima informação em português sobre isso. Foi quando decidi registrar meu processo aqui no Projeto Gris, pra tentar ajudar outras mulheres que tenham vontade de seguir pelo mesmo caminho.

E tenho a dizer que a desinformação sobre isso ainda é gigante. Por isso muita gente, muito cabeleireiro inclusive (alguns até falando isso em reportagens de jornais, revistas e internet), dá bola-fora.

Ontem li esse artigo aqui, em que citam uma matéria no jornal com comentários de um cabelereiro “dando dicas”. Fiquei chocada com o despreparo com o gris.

Primeiro que usar mais química para tirar química é uma loucura. Seja descoloração, tintura ou tonalizante, a não ser que seu cabelo seja 100% branco, de qualquer jeito você vai ter que passar pelo ano e meio com cabelo com duas ou mais cores. Mais fácil usar uma maquiagem lavável durante esse período, se a bagunça de cores te incomodar muito, ou cortar curtinho pra crescer com eles naturais de uma vez. Mas não apele pra química, não vale a pena.

Outra coisa é esse estigma de que mulheres de cabelo gris não podem ter cabelos compridos. Ué, se você já está inovando ao assumir seu gris, inove tendo o corte que te agradar – seja ele máquina 3 ou até a cintura!

Inovadora você! Mas vai manter esse cabelão? Grisalho geralmente é curtinho, né?

Inovadora você! Mas vai manter esse cabelão? Grisalho geralmente é curtinho, né?

Outra balela é essa história de que cabelo branco é rebelde. Cabelo danificado e com química é rebelde, isso sim!

Então, faça um favor para você mesma – já que vai abandonar a tintura, abandone os cosméticos pesados (com petrolatos, silicones e afins). Você vai ver como seu cabelo vai ficar muito melhor.

Usar cabelo gris ou branco como escolha é novidade, então você ainda vai ver muito olhar torto e ouvir muita bobagem de cabeleireiro. Mas aceite seu cabelo como é e, acredite, você não vai arrepender. ;)

A menina de cabelos brancos

IMG_1070~1   IMG_1069~1   IMG_1102~1   IMG_1083~1

Assim estou eu. La jeune fille aux cheveux blancs. Esse é meu cabelo neste momento.

Minha última “intervenção colorística” faz mais ou menos um mês. Foi com henna, pela primeira vez na vida. Achei que pudesse ser menos agressiva para meu cabelo mas acabei tendo uma certa reação negativa, com couro cabeludo bem vermelho e algumas bolinhas (mas passou rápido).

Como dá pra ver, tou com a raiz branca, o comprimento avermelhado da henna desbotada e as pontas castanho-escuras, quase pretas da tintura anterior. Devo ter usado tintura por uns 4 anos, o que já é mais do que suficiente pra manchar bem o cabelo, por isso resolvi tentar a henna. Só que pros meus cabelos brancos com pontas pretas a henna foi um verdadeiro desastre, passando longe de cobrir a raiz.

Essa história da henna foi um empurrão pra eu começar o Projeto Gris. Já tava pensando nisso fazia um tempo mas, com tinta preta no cabelo é meio desestimulante começar por causa do choque visual. Toda vez que eu espaçava um pouco mais o retoque da raiz acabava parecendo uma velha, de tão alto contraste que é cabelo preto e raiz branca. E também eu tava de cabelos compridos, então sempre pensava que ia demorar uma eternidade pra fazer a mudança.

Há uns dois meses eu resolvi cortar o cabelo. E neste último mês, com tudo isso, decidi pela experiência.

Vou dizer que não é fácil o processo. Dá ansiedade, vontade de que o resto da henna e da tinta sumam de vez e eu possa ver como vou ficar grisalha. Mas o cabelo curtinho ajuda, porque disfarça mais esse degradê de transição e vai completar o processo mais rápido.

O próximo passo é tentar adiantar a retirada da henna pra me tornar realmente a “menina de cabelos brancos”.

Cuma?

Lis GrisSou de 1982. Canceriana. Nasci no dia 08 de julho, o que significa que estou a três dias de completar 32 anos. E tenho MUITOS cabelos brancos.

Comecei a ter cabelos brancos com 16 anos. Até que não foi tão ruim, já que minha mãe começou com 13. Mas eram poucos, eu era adolescente e não dei muita bola pra isso. Só que o tempo foi passando e os branco foram brotando, cada vez mais. E nos últimos 10 anos o processo acelerou.

Tingir cabelo entrou na minha vida ainda adolescente. Lembro que com 14 anos usei tonalizante acaju nos meus cabelos tigelinha. Depois fiquei épocas com, épocas sem, mas a partir de um momento – acho que foi dos 20 anos, não me lembro – não deu mais pra ficar sem. O tonalizante passou a fazer parte do meu cotidiano, geralmente em castanho escuro ou preto. E nos últimos 4 ou 5 anos o tonalizante ficou fraco pra tanto cabelo branco e tive que entrar no mundo da tintura.

Nunca tingi cabelo em salão. Mentira. Tingi uma única vez, em 2006, meio sem querer. Fui a um salão estimulada pelo marido e eles acabaram nos convencendo a fazer o tonalizante lá. R$400 mais pobre, entendi que tingir cabelo em salão, pra quem é grisalh@, é prejuízo certo. Então nunca mais. E quando precisei passar para a tintura, procurei na farmácia a que fosse mais prática de passar e resolvi sozinha.

Só que nos últimos tempos comecei a perceber que eu tava deixando algumas mechas brancas sem tinta, sem querer. Especialmente na costeleta, o que não é bem conveniente quando seu cabelo está castanho escuro quase preto. E aí, xuxu, tem 2 opções: ou peço pra alguém tingir pra mim (em casa ou no $alão) ou assumo que vou fazer 32 anos e estou completamente grisalha.

Cabelo cresce.

Mas o que eu mais tenho ouvido – de todo mundo, sem exceção – é: MAS VOCÊ É MUITO NOVA PRA DEIXAR O CABELO BRANCO!

Cuma?

Eu não posso evitar ter cabelo branco. Eu tenho. Eles nascem sem eu pedir. Por que é que eu tenho que fingir que isso não acontece?

Argumentos pró-tintura não faltam:

  • Você é muito nova pra assumir os brancos.
  • Cabelo grisalho envelhece.
  • Cabelo grisalho é feio.
  • Cabelo grisalho não é sexy.

Respostas pra esses argumentos são simples:

  • Se eu tenho cabelo grisalho naturalmente, não posso ser muito nova pra tê-los.
  • Depende. Se eu me largar e me vestir como uma velhinha à moda antiga, talvez. Mas essa não sou eu.
  • Isso é de gosto. E é cultural. Fomos condicionados a achar feio. Mas tatuagem também era feio e hoje todo mundo tem.
  • Homens grisalhos podem ser sexy e mulheres não? Bom, vide a resposta acima.

Então eu sou grisalha. Mas não sei como meu cabelo é de verdade porque faz tanto tempo que eu tinjo que não tenho como saber. Por isso o Projeto Gris. É um experimento. Pra saber COMO EU SOU. Naturalmente. Sem química.

Se eu vou gostar ou não, não sei. Se vou manter? Sei lá. Mas por que não tentar? É só cabelo. Qualquer coisa, em 40 minutos ele está preto de novo. ;)