3 anos de Projeto Gris

 

3 anos de Projeto Gris! U-hu!

Se alguém me contasse em julho de 2014 que tudo isso aconteceria porque eu deixei de usar tintura no cabelo eu não acreditaria. Porque eu jamais imaginei que uma atitude tão minha, tão simples, se tornaria algo tão coletivo e tão complexo.

Pra você que ainda não sabe, quando eu completei 32 anos eu decidi parar de tingir o cabelo. Era Copa de 2014, eu estava com o cabelo bem curtinho e achei que era a oportunidade ideal para fazer testes – já que seria bem mais fácil me livrar da tinta com ele crescendo sem ela.

Fiz isso depois de mais de ano de reflexão. Tive medo, muitas dúvidas. Foi quando as buscas por jovens grisalhas na internet me revelou que não existia nada em português sobre o assunto. Achei em inglês e justo a Sarah Harris, a elegante editora de moda da Vogue inglesa nascida no mesmo ano que eu, com uma longa cabeleira gris que nunca recebeu uma gota de tinta. Era o encorajamento que eu precisava.

Poucos dias antes do meu aniversário eu oficializei a decisão lançando o Projeto Gris, e fui registrando o processo pra me ajudar a superar a dificuldade da transição – com o compromisso do blog os dias de “bad hair” e desânimo não me deixavam voltar atrás.

No fim das contas o Projeto Gris acabou sendo mais do que isso. Aos poucos outras mulheres foram chegando por aqui, contando suas histórias, desabafando sobre suas incertezas do antes e durante a transição. E tem sido uma felicidade muito grande poder ajudar de alguma forma mulheres que, como eu, não querem mais a obrigação de fazer algo que não gostam.

TESTE DE FIDELIDADE

Quando eu parei de tingir muita gente me perguntou se eu estava certa disso, se era pra sempre. Sempre disse que não fazia ideia – “pra sempre” é muito tempo. Uma coisa eu entendi logo de cara: tintura permanente não volta mais pro meu cabelo. Mas tonalizantes…

Sabe como é. Eu sempre fui inquieta com cabelo.

Em 2016, no meu aniversário, me deu uma vontade doida de pintar o cabelo de roxo. Tonalizante “fantasia”, o mais fraco que eu encontrei (o extinto Lola Colors, sem usar o fixador), pra sair logo. Só zueira.

Fiz com medo, mas fiz.

Roxa, de Lola Colors

Foi divertido… por 3 dias. Depois disso eu já tava morrendo de saudades do meu gris, forçando a barra pra tirar aquela “intensidade” toda da minha cabeça. Mas era Lola, então em um mês usando shampoo anti-resíduo eu já tinha meu gris de volta.

Acalmei… até março desse ano.

Um dia, no meio de um mês ruim e estressado, ansiosa com tudo, quis mudar alguma coisa. Mas o quê? “Poxa, sempre quis me ver ruiva. Por que não?”. Só que dessa vez fui contra toda minha nerdice, não pesquisei, entrei numa perfumaria e escolhi pela cor que eu vi na embalagem, acreditando no “sai em até 8 lavagens”  do rótulo, sem pensar em mais nada – era um Keraton Banho de Brilho Conhaque. MAIOR-BURRADA-DO-ANO. O ruivo ficou bonito mas em 3 dias, de novo, eu já tava desesperada pra ter meu gris de volta. Mas pergunta se ele saiu? Não teve shampoo anti-resíduo, dekap color, sabão de coco que arrancasse a porcaria do meu cabelo. Entrei em contato com o suporte da Kert que me tratou muito bem mas não tinha solução pra me dar – nunca sequer testaram em quantas lavagens isso sai do cabelo (!). Descobri que a verdade do “sai em até 8 lavagens” é que o tom da foto da embalagem dura até 8 lavagens, depois disso o cabelo fica manchado por um loooooongo tempo. :/

Ruiva, de Keraton Banho de Brilho

O resultado disso? Quase destruí meu cabelo pra ter meu gris de volta.

As lições? Nunca mais passar qualquer coisa no cabelo sem pesquisar.

TENDÊNCIA

Como já falei, em 2014 não existia referência em português sobre jovens grisalhas. Mal existia sobre mulheres (de qualquer idade) que decidiam assumir seus cabelos gris naturais. Talvez por isso fui parar no mídia.

O primeiro jornal a me procurar foi O Fluminense, da região metropolitana do Rio de Janeiro, em 2015. “O Dia“, jornal do Rio, veio na cola – eles sacaram que tinha algo novo no ar… um cheiro de “tendência”.

Nessa época começaram a surgir os primeiros grupos sobre o assunto no Facebook. No “Tenho cabelos brancos, e daí?” eu fiz uma postagem contando minha trajetória pra incentivar outras mulheres a assumirem seu gris. O post rendeu centenas de comentários e curtidas, um artigo no site “Hypeness”, uma matéria no Portal G1 e no site Wotopi do Japão, e um hangout com o canal Conexão Feminista. Em curso tem documentário de pesquisadores da UFF, uma matéria pra um grande portal de internet e um programa de beleza na TV a cabo.

A tendência se confirmou.

PRIMAVERA GRIS

Os grupos do Facebook cresceram, surgiram contas no Instagram, reportagens diversas em jornais e TV. O gris veio pra ficar.

Pelas ruas tenho visto muitas gris (oba!), cada vez mais. A estranheza que eu causava quando passava tem sido substituída por elogios. As perguntas do tipo “é de salão ou é seu?” estão perdendo espaço para elogios aos meus cachos, de tão natural que o gris está ficando.

Mas não se engane: a “primavera” ainda está em curso. Muita gente ainda tem restrição, muitas pessoas ainda torcem o nariz, muitas empresas ainda não aceitam suas funcionárias gris. Ser gris ainda é um “ato de rebeldia”.

Gris e de Pinching

NOVES FORA

Minhas considerações desses 3 anos:

1) Referência é importante. Quanto eu comecei minhas pesquisas eu me achava meio maluca – mal tinha completado 30 anos e queria jogar tudo pro alto e assumir meu cabelo gris. Não conhecia nenhuma mulher da minha idade grisalha e isso me deixava “deslocada”. Quando eu descobri a Sarah Harris parei de me sentir maluca e passei a ter uma referência. E esse foi um dos motivos da existência do Projeto Gris, dar a mão pra outras mulheres sentirem que não estão sozinhas.

2) A pressão é forte. Não parece, mas é. Às vezes nem é direta, nem sempre alguém fala “Por que você não tinge o cabelo?”. Mas tem os comerciais, as revistas, os filmes, as prateleiras, o dia-a-dia. Tem o que a gente se acostuma a achar “normal”. E pra estar “fora do normal” tem que ter peito.

3) A decisão é só sua. Talvez sua família torça o nariz se você disser que pensa em virar gris. Talvez teus amigos riam da sua ideia. Talvez as pessoas te desencorajem. Mas ninguém sabe como é pra você, ninguém vive o que você vive. Então é uma questão de prioridades – quando a prioridade deixa de ser os outros para ser você aí sim é possível tomar a decisão de parar de tingir.

3) Por mais que o gris já esteja “aceito” pelo seu cérebro, a coloração vai te tentar. Isso é normal. Um colorista me disse outro dia: “os homens ficam ansioso e vão beber ou gastar dinheiro com bobagem, as mulheres mudam o cabelo”. Eu já tive cabelos de várias cores e cortes, não seria agora que eu não sentiria impulsos de mudar. A questão é como “brincar de cor” sem manchar o cabelo.

4) É libertador. Muito. Não me sentir obrigada a ter o cabelo que não é meu, não me preocupar se “a raiz crescida está aparecendo”, não ficar entupindo meu cabelo de creme para compensar os estragos da tintura. Apenas cuidar do cabelo como deveria ser: deixá-lo saudável (e consequentemente bonito).

5) É lindo! <3

Ou seja, 3 anos e muitas histórias depois, tenho cada vez mais certeza da escolha que fiz – e sou muito feliz por isso. :)

PS:  Não, eu não esqueci da data, mas como estou num momento correria da vida, lançando junto com meu marido o PINCHING (uma joia de nariz não perfurante que você deve ter visto em algumas das fotos do post) pela loja virtual que construímos <www.diio.com.br>, então acabei empurrando para depois. Mas eis aqui!

Anúncios

Colorações: pintando e retirando

Já vai fazer 3 anos que eu parei de tingir o cabelo. E lembro que um mês antes de eu decidir parar eu tentei tonalizar meu cabelo com henna. Foi um desastre, claro. Meu cabelo estava com tintura permanente e eu joguei um tonalizante que desbotou logo mas só saiu com corte, mais de um ano depois.

Então achei que faltava explicar pra quem ainda não sabe – e está no processo de assumir os gris – como funciona cada tipo de coloração e a possibilidade de remoção.

1 – Tinturas Permanentes

(ex: Imedia da L’Oreal, Nutrisse da Garnier, Majirel da L’Oreal, Koleston da Wella, Beauty Color, etc)

Tinturas geralmente são formadas por um kit com 2 ou 3 produtos para serem misturados: um pigmento com metais pesados (arsênio, chumbo, cádmio e outros), um revelador com amônia (às vezes água oxigenda) e um hidratante que pode ser adicionado na mistura ou aplicado após a lavagem. Você mistura os ingredientes, aplica nos fios, aguarda pelo menos 30 minutos e depois enxagua.

Elas possuem cores vivas e desbotam pouco com a lavagem. Isso porque elas trabalham na parte de dentro dos fios de cabelo, onde o shampoo não chega, trocando a cor original do fio pelo pigmento. Por ser um procedimento agressivo não é aconselhada para cabelos muito finos, não reage bem com outros processos químicos, tende a ressecar o cabelo e mudar sua estrutura (os cabelos muitas vezes “perdem a forma natural”). Por isso também são tão difíceis de remover – se você tingir e se arrepender vai ter que usar produtos pesados de decapagem (Efaçor ou Dekap Color) para retirar UM POUCO da coloração ou apelar para o descolorante – o que geralmente danifica demais o cabelo. Para quem quer abandonar a tintura de vez, dependendo da quantidade de vezes que você já cobriu seus fios com esse tipo de coloração (geralmente anos de uso), a única solução é mesmo o corte.

2 – Tonalizantes Semi-Permanentes

(ex: Casting Creme Gloss da L’Oreal, Soft Color da Wella, Maxton da Embelleze, Color Touch da Wella, etc)

Tonalizantes semi-permanentes geralmente são formados por um kit com 2 ou 3 produtos para serem misturados: um pigmento com metais pesados ou não (arsênio, chumbo, cádmio e outros), um fixador sem amônia e um hidratante que pode ser adicionado na mistura ou aplicado após a lavagem. Você mistura os ingredientes, aplica nos fios, aguarda pelo menos 30 minutos e depois enxagua.

As cores são mais “nuances” e desbotam de forma progressiva com a lavagem. Isso porque eles trabalham na parte de fora dos fios de cabelo, onde o shampoo chega, fazendo uma “capa” no fio com pigmento. Pode ser usado em cabelos muito finos, reage bem com grande parte dos processos químicos, pode ressecar um pouco o cabelo mas não muda sua estrutura. Por ter um fixador tende a impregnar no cabelo deixando a retirada bem difícil, levando muitos meses para sair completamente – se sair.  Se você tonalizar e se arrepender não adianta fazer decapagem (Efaçor ou Dekap Color) uma vez que neste caso o pigmento não está dentro do fio, onde esses produtos fazem efeito. O que funciona é lavar muito o cabelo com shampoo anti-resíduos ou sabão de coco para retirar gradativamente a coloração (o que geralmente danifica demais o cabelo), ou apelar para nova tonalização e, em último caso, descoloração. Para quem quer abandonar a tintura de vez, dependendo da quantidade de vezes que você já cobriu seus fios com esse tipo de coloração, tem que ter paciência para esperar sair com as lavagens – só que até sair completamente seu cabelo já vai ter se renovado todo.

3 – Tonalizantes temporários ou fantasia

(ex: C-Kamura Color Intense, Keraton Banho de Brilho, Color Touch da Wella (também pode ser usado com revelador), Jeans Colors, máscaras matizadoras Lola, Dedicace da L’Oreal, Henna da Surya)

Tonalizantes temporários ou fantasia (como são chamados os coloridos) geralmente são formados por apenas 1 produto: um pigmento com metais pesados ou não (arsênio, chumbo, cádmio e outros) para ser aplicado nos fios secos ou úmidos, aguardar pelo menos 5 minutos e depois enxaguar.

As cores são apenas “brilhos” e desbotam mais rapidamente com a lavagem do que o tonalizante semi-permanente. Isso porque eles trabalham na parte de fora dos fios de cabelo, onde o shampoo chega, fazendo uma “capa” no fio com pigmento. Pode ser usado em cabelos muito finos, reage bem com todos os processos químicos, dificilmente ressecam o cabelo e não mudam sua estrutura. Por não ter fixador perde a cor original com poucas lavagens, levando alguns meses para sair completamente – mas dependendo do seu cabelo pode não sair (henna, por exemplo, não sai).  Se você tonalizar e se arrepender não adianta fazer decapagem (Efaçor ou Dekap Color) uma vez que neste caso o pigmento não está dentro do fio, onde esses produtos fazem efeito. O que funciona é lavar muito o cabelo com shampoo anti-resíduos ou sabão de coco para retirar gradativamente a coloração (o que geralmente danifica demais o cabelo), ou apelar para nova tonalização e, em último caso, descoloração. Para quem quer abandonar a tintura de vez tem que ter paciência para esperar sair com as lavagens, mas saiba que seu cabelo pode ficar manchado por um bom tempo.

RESUMINDO

  • Tinturas cobrem bem os brancos mas mexem na estrutura dos fios e NÃO SAEM. Desbotam com decapagem.
  • Tonalizantes semi-permanentes cobrem de forma mediana os cabelos brancos, não mexem na estrutura dos fios, demoram muito para sair e podem até NÃO SAIR MAIS. Decapagem não funciona, shampoo anti-resíduos sim.
  • Tonalizantes temporários cobrem os cabelos brancos por tempo muito reduzido, não mexem na estrutura dos fios, tendem a sair em alguns meses, podem manchar o cabelo e até NÃO SAIR MAIS. Decapagem não funciona, shampoo anti-resíduos sim.
  • O que influencia muito o resultado da aplicação ou da retirada da coloração do cabelo é a saúde e o tipo dos fios:
    • Fios finos tendem a reagir mal a qualquer tipo de química, já que quando perdem massa ou hidratação se quebram logo e ficam espigados.
    • Fios brancos são literalmente telas em branco, então tendem a “chupar” a química com intensidade, deixando a remoção bem mais difícil.

Meu conselho:

Procure processos que não usem ou usem o mínimo possível de metais pesados (cádmio, chumbo, arsênio, etc), derivados de minerais (petróleo ou petrolatos, silicones, parafina, etc), sulfatos (sais agressivos), amônia  e água oxigenada.

Quanto mais processos químicos você fizer sobre seus fios, mais danificados eles vão ficando. Vão desidratar, depois perder a forma, então perderão massa ficando quebradiços até espigar e ficar com aquela aparência de bruxa – pensa bem, não vale a pena.

Quer colorir? Se informe sobre o produto que você está usando e trate bem seu cabelo antes e depois. Produtos mais saudáveis são ligeiramente mais caros mas te poupam a grana da hidratação/cauterização/reconstrução constante no salão.

Quer parar de colorir? Tenha paciência, aposte na maquiagem para cabelos enquanto a raiz cresce e tire os resquícios com a tesoura.

Lembre-se: o que você passar vai ficar. ;)

Shampoo AcquaFlora Equilíbrio Resíduos

image

Shampoo Acquaflora Equilíbrio Resíduos Sem Sal

Testado.

Comprei pra tirar a henna do cabelo. Depois de quase um mês de uso a henna ainda está lá. Amenizou bastante, mas ainda está lá.

Uso 2 ou 3 vezes na semana, às vezes mais. Sei que não é bom. O cabelo está mais ressecado do que deveria – mas menos do que poderia, já que rola um condicionador super hidratante e um leave in incrível pra reparar ressecamento. E sinto que limpa bem, tirando a pomada fortíssima que uso praticamente todos os dias pra deixar meu cabelo em pé.

Ele tem uma coisa que eu gosto muito: o cheiro. Menta, bem forte. E, se usado duas vezes seguidas, deixa o couro cabeludo refrescante a la pasta de dente. Bem diferente – e gostoso.

Se existem outros melhores eu ainda não sei, já que é meu primeiro shampoo anti-resíduo, mas achei esse muito bom. Valeu os R$ 24. ;)