Superbonita: “Meu Cabelo, Minha Alma”

 

Nesta segunda, 4 de setembro, foi ao ar o episódio do programa Superbonita, do Canal GNT, que gravei falando da vida de gris.

O programa foi sobre cabelos, teve como personagem principal a cantora Paula Fernandes e como histórias paralelas a minha e a da digital influencer Luiza Junqueira.

O programa ficou massa, você viu? Se não consegiu ver, não tem problema, é só clicar no link aí em baixo e assistir. ;)

https://globosatplay.globo.com/gnt/v/6127087/

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Quem manda na sua cabeça?

Ontem estive numa filial das Lojas Americanas aqui do Rio para comprar uma maquiagem. Quando cheguei ao caixa, enquanto passava minha compra, a moça que me atendeu puxou papo:

– Lindo seu cabelo.

Agradeci sorrindo, enquanto ela me olhava com atenção.

– É natural ou de salão?

– Natural.

– Eu tinha feito o meu igual ao seu. Estava lindo, com luzes platinadas, mas eles mandaram eu tirar.

Tomei um baque. Não estava esperando a frase. Olhei atentamente pro cabelo dela, com luzes tradicionais, loiras. Seu tom soava frustrado. Reagi de pronto.

– Como é que é?! Mandaram você tirar? Quem? A Loja?

– Shhhh… – Pediu ela, olhando para os lados, movimentando as mãos para que eu falasse mais baixo. – É. Eles não aceitaram meu cabelo, tive que tingir.

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Como assim te mandaram tingir?

– Mas é o SEU cabelo! Como é que eles te mandam tingir?! Como é que pode isso?!

– Pois é. Eu estava amando meu cabelo como o seu. Deu um trabalhão pra ficar assim, mas tive que tirar. Fazer o quê.

Me despedi dela, que ainda elogiou meu cabelo mais uma vez, e fui embora incrédula.

Quando tive o bate-papo com a Renata Senile, do Canal Conexão Feminista, falamos sobre a imposição do mercado pela aparência “padrão” e como algumas mulheres tinham contado no canal que não podiam assumir seus cabelos por causa de seus empregos. Eu, particularmente, nunca tinha presenciado isso, não para “cabelos brancos”. No caso dessa moça, brancos artificiais, mas se fosse o meu teriam me forçado a tingir da mesma forma. E quem não pode ficar desempregado não pode se dar o luxo de peitar chefe abusivo.

Fiquei pensando na situação, tentando entender o panorama. Ela não é caixa, ela está caixa – é o trabalho dela, não o que ela é na vida. Fora dali ela tem amigos, parentes, desejos, estilo, tem uma vida – e não veste uniforme. Pensei que então ela tem todo o direito de ter seu cabelo preferido, desde que mantenha seu uniforme enquanto representa a empresa. Já seu chefe deve se preocupar se seus funcionários não vão “afugentar” os clientes de alguma forma, seja por seu comportamento ou por seu visual, garantindo que o atendimento seja o melhor possível. Isso provavelmente passa por “vetar” comportamentos e visuais agressivos, como muitos piercings no rosto e cortes/cores de cabelo radicais, por exemplo (uma velhinha pode se sentir “acuada”, talvez). Ele quer que sua loja tenha o mínimo de ruídos possíveis na comunicação funcionários-clientes.

Pesando os dois lados, achei que a empresa foi abusiva com a funcionária, o que me deixou muito incomodada.

E deixo perguntas, pra que a gente reflita junt@s: qual é o limite dessa “intromissão” da empresa na vida d@s funcionári@s? E por que o cabelo branco incomoda, já que é uma cor que pode ocorrer naturalmente nos cabelos (diferente de verdes, azuis ou roxos, por exemplo)? E por que não aceitar um cabelo azul/roxo/rosa se @ funcionári@ estiver devidamente uniformizad@? Como combater esse tipo de abuso?

Projeto Gris no Japão!

Esse mês a Noriko Tanaka, correspondente em terras tupiniquins do site japonês Wotopi, entrou em contato comigo para fazer um artigo sobre o Projeto Gris!

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Projeto Gris em japonês!

Tivemos um papo super legal, onde contei pra ela sobre meu processo e ela me contou como as japonesas são ainda mais reticentes sobre cabelos gris do que nós, brasileiras – o que, confesso, me impressionou muito. Sempre chega pra gente aqui aquelxs japonesxs modernérrimxs, com cabelos ousados e coloridos, então tinha a sensação que elxs eram bem tranquilxs sobre isso, mas ela me contou que essa modernidade é aceita apenas aos jovens. Quando se entra na vida adulta as mulheres são “pressionadas” a seguir um padrão de beleza de cabelos castanhos ou pretos, com cortes mais comportados. O gris lá só é assumido por mulheres pra lá de 60 anos, e não com muita frequência.

Noriko viu na minha história uma oportunidade de mostrar para as japonesas que é possível sim assumir seus cabelos naturais, independente de sua idade! E eu fiquei muito feliz de pode falar pra gente do outro lado do mundo que o que importa é ser feliz como se é!

Abaixo vai a transcrição que a Noriko gentilmente fez da entrevista (o google tradutor é péssimo em japonês-português). Mas vale dar uma olhada lá no Wotopi pra prestigiar o trabalho dela! ;)

http://wotopi.jp/archives/42493

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“Por que eu assumo meus cabelos brancos” – Entrevista com a blogueira grisalha do Brasil

Por Noriko Tanaka

Elisa Colepicolo (34 anos) mora no Rio de Janeiro, Brasil. Ela decidiu “assumir seus cabelos brancos”, e começou a escrever o blog “Projeto Gris” há dois anos para incentivar mulheres jovens grisalhas. O blog dela acabou fazendo sucesso entre as mulheres grisalhas e ela tem sido entrevistada pela mídia, por vários jornais.

Cabelos brancos muitas vezes são vistos como sinal de “desleixo” e “velhice”, mas por qual motivo ela decidiu assumir isso? O que ela conseguiu perceber com esta decisão?

 

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Motivo de parar de tingir o cabelo

– Quando os cabelos grisalhos começaram a aparecer?

Elisa Colepicolo: A primeira vez que eu achei fios brancos foi quando eu tinha 16 anos. Mas tinha só um fio, depois outro fio… Comecei a passar tonalizante no cabelo mas era simplesmente por diversão.
Depois dos vinte e poucos anos tinha que tingir todos os meses, e quando fui chegando aos 28 anos o tonalizante começou a ficar complicado, ele desbotava rápido. E resolvi passar para a tintura, mas meu cabelo foi ficando muito ruim, ficou danificado, comecei a ter muita queda.
Depois de parar de tingir que percebi que não caía mais tanto, foi então que descobri que isso era por causa da tintura.
Quando cheguei aos 30 anos, comecei a me questionar “E se eu parasse pintar o cabelo…?”

A referência foi Sarah Harris da Vogue inglesa.

Colepicolo: Muitas brasileiras fazem coisas para parecerem mais novas, como por exemplo botox, cirurgia, etc… E é difícil de quebrar essa barreira.
Acho que tem duas ideias muito difundidas: “Mulher jovem não pode ter cabelo branco” e “Se ter cabelo branco, não pode ter cabelo comprido”.

Quando estava procurando mulheres que assumiram seus cabelos brancos eu achei a Sarah Harris, uma editora da Revista Vogue inglesa. Ela foi a primeira mulher jovem que eu achei que realmente era natural. E descobri que ela também começou a ter cabelo grisalho aos 16 anos e com 31 anos já estava todo grisalho. Ela tem cabelo comprido até quase a cintura, e bem grisalho. E ela é muito bonita e elegante! Eu comecei a pensar “Dá pra ter cabelo branco! Pode ficar legal! Então… por que não tentar?”

O marido não era muito favorável, mas…

– Você falou pra outras pessoas sobre o seu pensamento de não tingir mais o cabelo? O que eles acharam?

Colepicolo: Meu marido inicialmente não curtia muito a ideia… “Ah, não! Por que parar de tingir? Você ainda é muito nova!” (risos)

– Quando parou de tingir mesmo?

Colepicolo: Quando estava com 31 anos, em abril ou maio, meu marido entrou de férias do trabalho e perguntou “O que você acha se eu descolorir meu cabelo?” Ele também era grisalho. Eu respondi “Vai lá, descolore! Cabelo cresce. Se não gostar, depois corta ou pinta de novo…”.

Ele ficou meio impressionado de eu aceitar a ideia dele, mas descoloriu e adorou. Realmente ficou lindo, combinou super com ele. E ao mesmo tempo, ele ficou sem argumentos. “Se ele podia descolorir, por que eu não podia deixar de pintar?!” (risos)

Aí em julho daquele ano, na época de completar 32 anos, resolvi parar de tingir, e comecei o blog.

Queria fazer “algo” para as mulheres que não queriam mais pintar

– Por que você começou o blog “Projeto Gris”?

Colepicolo: Eu já procurava na internet mulheres grisalha desde os 30 anos, época que comecei a pensar em parar de tingir, mas só achava mulheres bem mais velhas do que eu, nunca da minha idade, nunca nem perto da minha idade. E quando achava alguma coisa era em inglês, como Sarah Harris. Mas não achava nada em português.

Fiquei pensando na quantidade de mulheres que passavam pela mesma coisa que eu, que tinham essa curiosidade de saber como é que mulheres jovens ficam quando assumem o cabelo branco, mas não conseguiam achar nada. Aí, já que eu ia fazer isso, eu podia fazer o processo fotografando pra mim e compartilhar pra ajudar outras pessoas também.
“Tenho cabelos brancos, e daí?!”

– Depois de começar o blog, como foi repercussão?

Colepicolo: Não posto todo dia, escrevo a cada 2 meses ou 3 meses. Porque tem que ter alguma mudança no cabelo. No começo, não tinha muito acesso. Quando fez 1 ano as pessoas começaram a chegar no blog. Meu cabelo ficou maior e fios brancos ficaram mais aparentes.

Quando completou 2 anos do Projeto Gris eu estava vendo o Facebook e apareceu essa página, “Tenho cabelos brancos – e daí?!”, como sugestão acesso. Aí fui ver como era e vi que mulheres falavam ali sobre os cabelos delas.

Aí eu escrevi. Minha postagem original recebeu quase 1000 curtidas, e quase 100 comentários. Então o site “Hypeness” compartilhou minha postagem e meu blog bombou. E fui entrevistada pelos jornais famosos daqui também. O negócio foi virando uma bola de neve.

Eu jamais imaginei nada disso só pelo simples fato de não pintar mais meu cabelo. E agora até no Japão! (risos)

No meu blog muitas mulheres novas comentaram que “tiveram medo de não pintar mas que agora começaram a ter coragem” ou esse tipo de coisa. Antigamente eu que procurava isso e agora estou feliz em conseguir incentivar mulheres que só querem ser felizes.

Muita gente acha estranho eu assumir meus cabelos brancos tendo menos de 35 anos. Mas cabelo branco nem sempre significa “velhice”, é uma coisa genética, então mesmo eu sendo jovem ele cresce!

Nos primeiros meses que eu parei de tingir as pessoas na rua me perguntavam “Porque não pinta cabelo?! Você é tão nova!…”. Mas agora muita gente me diz “Está bonita!”, “Ficou legal”.

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Importante é “TER CONSCIÊNCIA DA ESCOLHA”

– Favor deixar uma mensagem para as mulheres japonesas.

Colepicolo: Não quero que vocês achem que eu sou contra pintar cabelo. Se você gosta de pintar cabelo, se divirta, continue! Mas se não gosta, pare! Tente! Você vai se olhar no espelho e se achar bonita, isso é ótima decisão.

Isso não é só para o cabelo mas sim para qualquer coisa que você faça. O ruim na vida é a gente fazer as coisas por obrigação. Isso não vale a pena. Importante é ter consciência da escolha. As pessoas querem ser igual a todo mundo mas você não precisa ser igual a ninguém. Todo mundo nasce diferente. Os outros vão dizer como você deve ser ou se comportar mas você que tem que procurar o que TE faz feliz.

Mas isso aí ninguém vai te dizer, não. Você mesma que vai achar o seu caminho.

 

 

Tod@s querem liberdade!

Essa semana que passou publiquei um depoimento na página “Tenho Cabelos Brancos, E Daí?” do Facebook. Contei da minha experiência pessoal e do Projeto Gris. Pra minha surpresa a postagem bombou, com quase mil curtidas, centenas de comentários e dezenas de compartilhamentos!

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Por conta disso, a Brunna Condini, jornalista do jornal O Dia aqui do Rio de Janeiro, entrou em contato me convidando para participar de uma matéria sobre mulheres gris, que sairia no final de semana. Saiu! Você pode ver nesse post aqui.

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Projeto Gris no jornal O Dia

Também por causa disso o site hypeness.com fez uma matéria sobre a postagem e como as mulheres estão curtindo ser gris! Você pode ver nesse outro post aqui.

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Projeto Gris no Hypeness.com

Sabe o que isso quer dizer, na minha opinião? Que as mulheres estão ansiosas por liberdade! Querem ser elas mesmas, ser feliz como são – e todo empurrãozinho é bem-vindo.

Fico feliz em poder inspirar outras mulheres que não gostam de tintura a se libertar, mas quero dizer que não é só da tintura: liberte-se dos hábitos que você não gosta, que não te fazem feliz. Não se obrigue a ser diferente do que você é porque os outros “falam” ou “acham”, ou porque as revistas de beleza “ensinam”.

Seja você! Seja feliz! ;)

Hypeness.com: “As mulheres estão assumindo seus cabelos brancos; não importa a idade”

por Redação Hypeness

Foi-se o tempo em que cabelos brancos eram sinal de descuido ou velhice. Cada vez mais mulheres de variadas idades estão assumindo seus fios como eles são, dizendo adeus à tinturas e tonalizantes.

Esse processo de transição geralmente se dá após a falta de identificação com cabelos opacos e sem vida, que vão se tornando cada dia mais danificados após tanta química. Foi o caso da paulista Elisa Colepicolo, que relatou à página Tenho cabelos brancos, e daí?, uma comunidade de apoio online às grisalhas, sobre como foi abandonar a visita ao salão a cada 15 dias para dizer sim aos seus fios naturais:

“Comecei a ter cabelos brancos aos 16 anos – e com os tonalizantes também. Aos 26 comecei a notar que tonalizar já não era fácil, e passei para a tintura. Aos 32 estava com o cabelo manchado, tendo que fazer retorques a cada 15 dias, sem cachos, danificado, triste. Odiando esse processo e curiosa sobre a situação real do meu cabelo (que mal lembrava que cor era), aproveitei um corte curtinho que fiz para experimentar ser natural. O máximo que poderia acontecer seria eu não gostar e, 40 minutos depois, estar tingida de novo. Em 2014 me libertei da tinta e, pra registrar o processo e dar referência em português (uma raridade na época) pra outras mulheres na mesma situação, criei o blog Projeto Gris. Lá se vão 2 anos. Nunca mais tingi, tonalizei nem sequer cortei meus cabelos. Eles voltaram a ter brilho e forma, como há muito não acontecia. Eu voltei a ter paz com meus cabelos e, depois de um longo processo de aceitação (lutando contra toda a pressão social da beleza padrão), hoje não consigo mais me imaginar diferente. Me sinto linda assim! E incentivo todas as pessoas que me perguntam. Assuma! Seja você! Seja feliz!”.

O depoimento de Elisa fez sucesso, e além de inúmeras curtidas e compartilhamentos, veio acompanhado de muitos outros desabafos nos comentários:

“Os meus estão assumidos brancos desde 2010! Aguentei a pressão e não me arrependo! Os meus brancos apareceram por volta dos 12 anos!” – Helena Leardini

“Faz uns 3 anos que os meus estão livres. Agora tô deixando crescer de novo! Adoro quando me perguntam aonde fiz os reflexos brancos.” – Sonaira Dávila

“Amei, Elisa Colepicolo! Os primeiros fios brancos já estão acontecendo por aqui. Estou na fase da aceitação. É difícil, me dei conta de como ainda estou a mercê das pressões sociais e padrões de beleza, mas tenho certeza que vou me libertar. É uma constante desconstrução, mas eu chego lá. Adorei o projeto! Parabéns e sim, você está linda!” – Teresa Duque Estrada

“Adoro ter cabelos brancos. Tenho desde os 30 anos e agora com 60 estão cada vez mais bonitos!” – Fátima da Silva

“Serei e já sou dessas… Rsrsrs embora eu não tenha muito cabelo, mas os brancos tem dado o ar da graça, envelhecer faz parte se amar é tão natural quanto…” – Luciane Ramos Madruga

“Cansei de tirar a originalidade do meu cabelo. Assumi de vez os brancos, que aliás já amava. Parabéns a todas nós que aguentam com todo orgulho, as críticas amargas e até acho, meio invejosas. Pois pra isso temos que ter personalidade forte, que acredito que quem critica, não tem!” – Cláudia Rogéria Moura

Apesar de tanto apoio, a resistência e o preconceito com os fios prateados ainda é grande.Seja por pressão da sociedade, seja por falta de costume mesmo. O fato é que deve ser libertador não depender mais de tinturas e reconhecer seu cabelo como ele realmente é, do jeitinho que a natureza fez. Mas, se você não gosta dos seus fios assim, tudo bem. Vale branco, vale loiro, vale ruivo, vale castanho, vale preto, vale rosa e vale azul também. O que não vale é se tornar escrava de algo que não seja para agradar quem mais importa na sua vida: você!

Imagens © Reprodução Facebook

As mulheres estão assumindo seus cabelos brancos  não importa a idade - corte

Link pra matéria online: http://www.hypeness.com.br/2016/08/as-mulheres-estao-assumindo-seus-cabelos-brancos-nao-importa-a-idade/

Projeto Gris na Revista do Jornal O Fluminense!

E olha só: semana passada surgiu aqui o comentário de uma jornalista querendo fazer uma matéria sobre mim e sobre o blog! Falei com ela e contei da Lia Amancio, que também foi entrevistada.

Hoje saiu! Tá na Revista de Domingo do Jornal O Fluminense. A matéria que você lê abaixo, os links estão no final.

Tomara que ajude mais mulheres a curtirem seus cabelos naturais! :)

(2015_04_26) Revista O Fluminense

A moda do tom acinzentado

Por: Brenda Moura 26/04/2015

Mulheres cada vez mais jovens mostram personalidade ao assumirem os fios brancos

Na contramão de quem acredita que as mechas grisalhas envelhecem, surge um grupo de mulheres de personalidade forte e desencanadas, que têm assumido os fios brancos cada vez mais cedo. Outras, ainda mais radicais, pintam suas madeixas por completo com tons acinzentados.

A dermatologista Beatriz Sabóia Zink explica que os fatores genéticos que são responsáveis pelos surgimento dos fios brancos são a herança familiar e mutações genéticas associadas à síndromes e doenças autoimunes, como vitiligo e alopecia areata. E os fatores externos são o estresse oxidativo proveniente de uma má alimentação, estresse físico e mental com má qualidade de vida, tabagismo e até uso de alguns medicamentos.

“Quanto mais mecanismos estiverem envolvidos, menor a quantidade de células- tronco capazes de produzir a pigmentação do fio, até que elas se esgotam e já não se consegue mais reverter o processo de despigmentação”, afirma Beatriz.

A professora Genilda do Nascimento Silva, 42 anos, assumiu os fios grisalhos há um ano. Ela conta que o desejo de mudança a fez assumir os cabelos grisalhos, assim  como o nascimento do seu primeiro neto. “Minha família não gostou, principalmente, minha filha. A maioria das pessoas associa mulheres com cabelos brancos ao desleixo. Mas não é. Acredito que o importante é ser feliz e aproveitar o momento em que estamos vivendo”, conta.

Os primeiros fios brancos da consultora de museologia, Elisa Colepicolo, 32 anos, começaram a surgir aos 16, e desde então ela começou a usar tonalizantes e tinturas. “Eu era adolescente e achava graça, pintava o cabelo de vermelho, não ligava muito se o cabelo manchava. Mas depois de alguns anos virou obrigação e, para piorar, o tonalizante deixa a desejar para quem tem muitos fios brancos, então passei a usar tintura. O fio ficava pesado e rebelde, e a raiz precisava de retoque a cada 15 dias. Foi quando comecei a me questionar por que eu tinha que tingir o cabelo”, lembra.

Elisa demorou mais de um ano para decidir se abandonava as tinturas. Durante esse período, ela começou a pesquisar na internet mulheres da sua idade que assumiam o cabelo naturalmente grisalho e neste levantamento percebeu que faltava sites e blogs em português que mostrassem mulheres da sua idade, a maioria falava somente daquelas que já tinham passado dos 50. Então, teve a ideia de criar o blog “Projeto Gris”, página onde compartilha as experiências e descobertas do novo visual.

“Quando tomei coragem para assumir meu cabelo natural, achei que seria bom manter uma espécie de ‘diário de bordo’ da experiência. Assim, teria um registro de como foi o processo e, ao mesmo tempo, estimularia outras mulheres que têm vontade de se libertarem da tintura”, conta ela que acabou influenciando três amigas a adotarem o tom acinzentado. “Muitas mulheres desconhecidas me abordam na rua e me contam que morrem de vontade de largar a tintura mas não tem coragem. Eu estimulo todas elas”, diz.

A consultora de comunicação e instrutora de hoopdance, Lia Amancio, 37, também aderiu ao visual depois de muita resistência. “Algumas amigas me escreveram – especificamente da França e do Canadá – elogiando, dizendo está lindo e que por lá é super normal, e isso me faz refletir por que a brasileira nega tanto o cabelo branco”, questiona.

Quem pensa que o cabelo grisalho exige menos cuidados e é mais fácil de tratar está enganado. “Deve -se usar xampus específicos para o cabelo não amarelar. Também é importante hidratar bastante, já que o fio branco acaba ficando mais ressecado e grosso por falta de melanina”, aconselha a colorista Jô Lelis, do Werner Coiffeur, que recomenda cortes mais curtos e desfiados para quem quiser adotar este look.

O Fluminense

O link pra matéria online: http://ofluminense.com.br/editorias/revista/moda-do-tom-acinzentado

O link pra revista online: http://flipagem.ofluminense.com.br/flip.asp?dataed=20150426&iidpublicacao=2#