3 anos de Projeto Gris

 

3 anos de Projeto Gris! U-hu!

Se alguém me contasse em julho de 2014 que tudo isso aconteceria porque eu deixei de usar tintura no cabelo eu não acreditaria. Porque eu jamais imaginei que uma atitude tão minha, tão simples, se tornaria algo tão coletivo e tão complexo.

Pra você que ainda não sabe, quando eu completei 32 anos eu decidi parar de tingir o cabelo. Era Copa de 2014, eu estava com o cabelo bem curtinho e achei que era a oportunidade ideal para fazer testes – já que seria bem mais fácil me livrar da tinta com ele crescendo sem ela.

Fiz isso depois de mais de ano de reflexão. Tive medo, muitas dúvidas. Foi quando as buscas por jovens grisalhas na internet me revelou que não existia nada em português sobre o assunto. Achei em inglês e justo a Sarah Harris, a elegante editora de moda da Vogue inglesa nascida no mesmo ano que eu, com uma longa cabeleira gris que nunca recebeu uma gota de tinta. Era o encorajamento que eu precisava.

Poucos dias antes do meu aniversário eu oficializei a decisão lançando o Projeto Gris, e fui registrando o processo pra me ajudar a superar a dificuldade da transição – com o compromisso do blog os dias de “bad hair” e desânimo não me deixavam voltar atrás.

No fim das contas o Projeto Gris acabou sendo mais do que isso. Aos poucos outras mulheres foram chegando por aqui, contando suas histórias, desabafando sobre suas incertezas do antes e durante a transição. E tem sido uma felicidade muito grande poder ajudar de alguma forma mulheres que, como eu, não querem mais a obrigação de fazer algo que não gostam.

TESTE DE FIDELIDADE

Quando eu parei de tingir muita gente me perguntou se eu estava certa disso, se era pra sempre. Sempre disse que não fazia ideia – “pra sempre” é muito tempo. Uma coisa eu entendi logo de cara: tintura permanente não volta mais pro meu cabelo. Mas tonalizantes…

Sabe como é. Eu sempre fui inquieta com cabelo.

Em 2016, no meu aniversário, me deu uma vontade doida de pintar o cabelo de roxo. Tonalizante “fantasia”, o mais fraco que eu encontrei (o extinto Lola Colors, sem usar o fixador), pra sair logo. Só zueira.

Fiz com medo, mas fiz.

Roxa, de Lola Colors

Foi divertido… por 3 dias. Depois disso eu já tava morrendo de saudades do meu gris, forçando a barra pra tirar aquela “intensidade” toda da minha cabeça. Mas era Lola, então em um mês usando shampoo anti-resíduo eu já tinha meu gris de volta.

Acalmei… até março desse ano.

Um dia, no meio de um mês ruim e estressado, ansiosa com tudo, quis mudar alguma coisa. Mas o quê? “Poxa, sempre quis me ver ruiva. Por que não?”. Só que dessa vez fui contra toda minha nerdice, não pesquisei, entrei numa perfumaria e escolhi pela cor que eu vi na embalagem, acreditando no “sai em até 8 lavagens”  do rótulo, sem pensar em mais nada – era um Keraton Banho de Brilho Conhaque. MAIOR-BURRADA-DO-ANO. O ruivo ficou bonito mas em 3 dias, de novo, eu já tava desesperada pra ter meu gris de volta. Mas pergunta se ele saiu? Não teve shampoo anti-resíduo, dekap color, sabão de coco que arrancasse a porcaria do meu cabelo. Entrei em contato com o suporte da Kert que me tratou muito bem mas não tinha solução pra me dar – nunca sequer testaram em quantas lavagens isso sai do cabelo (!). Descobri que a verdade do “sai em até 8 lavagens” é que o tom da foto da embalagem dura até 8 lavagens, depois disso o cabelo fica manchado por um loooooongo tempo. :/

Ruiva, de Keraton Banho de Brilho

O resultado disso? Quase destruí meu cabelo pra ter meu gris de volta.

As lições? Nunca mais passar qualquer coisa no cabelo sem pesquisar.

TENDÊNCIA

Como já falei, em 2014 não existia referência em português sobre jovens grisalhas. Mal existia sobre mulheres (de qualquer idade) que decidiam assumir seus cabelos gris naturais. Talvez por isso fui parar no mídia.

O primeiro jornal a me procurar foi O Fluminense, da região metropolitana do Rio de Janeiro, em 2015. “O Dia“, jornal do Rio, veio na cola – eles sacaram que tinha algo novo no ar… um cheiro de “tendência”.

Nessa época começaram a surgir os primeiros grupos sobre o assunto no Facebook. No “Tenho cabelos brancos, e daí?” eu fiz uma postagem contando minha trajetória pra incentivar outras mulheres a assumirem seu gris. O post rendeu centenas de comentários e curtidas, um artigo no site “Hypeness”, uma matéria no Portal G1 e no site Wotopi do Japão, e um hangout com o canal Conexão Feminista. Em curso tem documentário de pesquisadores da UFF, uma matéria pra um grande portal de internet e um programa de beleza na TV a cabo.

A tendência se confirmou.

PRIMAVERA GRIS

Os grupos do Facebook cresceram, surgiram contas no Instagram, reportagens diversas em jornais e TV. O gris veio pra ficar.

Pelas ruas tenho visto muitas gris (oba!), cada vez mais. A estranheza que eu causava quando passava tem sido substituída por elogios. As perguntas do tipo “é de salão ou é seu?” estão perdendo espaço para elogios aos meus cachos, de tão natural que o gris está ficando.

Mas não se engane: a “primavera” ainda está em curso. Muita gente ainda tem restrição, muitas pessoas ainda torcem o nariz, muitas empresas ainda não aceitam suas funcionárias gris. Ser gris ainda é um “ato de rebeldia”.

Gris e de Pinching

NOVES FORA

Minhas considerações desses 3 anos:

1) Referência é importante. Quanto eu comecei minhas pesquisas eu me achava meio maluca – mal tinha completado 30 anos e queria jogar tudo pro alto e assumir meu cabelo gris. Não conhecia nenhuma mulher da minha idade grisalha e isso me deixava “deslocada”. Quando eu descobri a Sarah Harris parei de me sentir maluca e passei a ter uma referência. E esse foi um dos motivos da existência do Projeto Gris, dar a mão pra outras mulheres sentirem que não estão sozinhas.

2) A pressão é forte. Não parece, mas é. Às vezes nem é direta, nem sempre alguém fala “Por que você não tinge o cabelo?”. Mas tem os comerciais, as revistas, os filmes, as prateleiras, o dia-a-dia. Tem o que a gente se acostuma a achar “normal”. E pra estar “fora do normal” tem que ter peito.

3) A decisão é só sua. Talvez sua família torça o nariz se você disser que pensa em virar gris. Talvez teus amigos riam da sua ideia. Talvez as pessoas te desencorajem. Mas ninguém sabe como é pra você, ninguém vive o que você vive. Então é uma questão de prioridades – quando a prioridade deixa de ser os outros para ser você aí sim é possível tomar a decisão de parar de tingir.

3) Por mais que o gris já esteja “aceito” pelo seu cérebro, a coloração vai te tentar. Isso é normal. Um colorista me disse outro dia: “os homens ficam ansioso e vão beber ou gastar dinheiro com bobagem, as mulheres mudam o cabelo”. Eu já tive cabelos de várias cores e cortes, não seria agora que eu não sentiria impulsos de mudar. A questão é como “brincar de cor” sem manchar o cabelo.

4) É libertador. Muito. Não me sentir obrigada a ter o cabelo que não é meu, não me preocupar se “a raiz crescida está aparecendo”, não ficar entupindo meu cabelo de creme para compensar os estragos da tintura. Apenas cuidar do cabelo como deveria ser: deixá-lo saudável (e consequentemente bonito).

5) É lindo! <3

Ou seja, 3 anos e muitas histórias depois, tenho cada vez mais certeza da escolha que fiz – e sou muito feliz por isso. :)

PS:  Não, eu não esqueci da data, mas como estou num momento correria da vida, lançando junto com meu marido o PINCHING (uma joia de nariz não perfurante que você deve ter visto em algumas das fotos do post) pela loja virtual que construímos <www.diio.com.br>, então acabei empurrando para depois. Mas eis aqui!

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Colorações: pintando e retirando

Já vai fazer 3 anos que eu parei de tingir o cabelo. E lembro que um mês antes de eu decidir parar eu tentei tonalizar meu cabelo com henna. Foi um desastre, claro. Meu cabelo estava com tintura permanente e eu joguei um tonalizante que desbotou logo mas só saiu com corte, mais de um ano depois.

Então achei que faltava explicar pra quem ainda não sabe – e está no processo de assumir os gris – como funciona cada tipo de coloração e a possibilidade de remoção.

1 – Tinturas Permanentes

(ex: Imedia da L’Oreal, Nutrisse da Garnier, Majirel da L’Oreal, Koleston da Wella, Beauty Color, etc)

Tinturas geralmente são formadas por um kit com 2 ou 3 produtos para serem misturados: um pigmento com metais pesados (arsênio, chumbo, cádmio e outros), um revelador com amônia (às vezes água oxigenda) e um hidratante que pode ser adicionado na mistura ou aplicado após a lavagem. Você mistura os ingredientes, aplica nos fios, aguarda pelo menos 30 minutos e depois enxagua.

Elas possuem cores vivas e desbotam pouco com a lavagem. Isso porque elas trabalham na parte de dentro dos fios de cabelo, onde o shampoo não chega, trocando a cor original do fio pelo pigmento. Por ser um procedimento agressivo não é aconselhada para cabelos muito finos, não reage bem com outros processos químicos, tende a ressecar o cabelo e mudar sua estrutura (os cabelos muitas vezes “perdem a forma natural”). Por isso também são tão difíceis de remover – se você tingir e se arrepender vai ter que usar produtos pesados de decapagem (Efaçor ou Dekap Color) para retirar UM POUCO da coloração ou apelar para o descolorante – o que geralmente danifica demais o cabelo. Para quem quer abandonar a tintura de vez, dependendo da quantidade de vezes que você já cobriu seus fios com esse tipo de coloração (geralmente anos de uso), a única solução é mesmo o corte.

2 – Tonalizantes Semi-Permanentes

(ex: Casting Creme Gloss da L’Oreal, Soft Color da Wella, Maxton da Embelleze, Color Touch da Wella, etc)

Tonalizantes semi-permanentes geralmente são formados por um kit com 2 ou 3 produtos para serem misturados: um pigmento com metais pesados ou não (arsênio, chumbo, cádmio e outros), um fixador sem amônia e um hidratante que pode ser adicionado na mistura ou aplicado após a lavagem. Você mistura os ingredientes, aplica nos fios, aguarda pelo menos 30 minutos e depois enxagua.

As cores são mais “nuances” e desbotam de forma progressiva com a lavagem. Isso porque eles trabalham na parte de fora dos fios de cabelo, onde o shampoo chega, fazendo uma “capa” no fio com pigmento. Pode ser usado em cabelos muito finos, reage bem com grande parte dos processos químicos, pode ressecar um pouco o cabelo mas não muda sua estrutura. Por ter um fixador tende a impregnar no cabelo deixando a retirada bem difícil, levando muitos meses para sair completamente – se sair.  Se você tonalizar e se arrepender não adianta fazer decapagem (Efaçor ou Dekap Color) uma vez que neste caso o pigmento não está dentro do fio, onde esses produtos fazem efeito. O que funciona é lavar muito o cabelo com shampoo anti-resíduos ou sabão de coco para retirar gradativamente a coloração (o que geralmente danifica demais o cabelo), ou apelar para nova tonalização e, em último caso, descoloração. Para quem quer abandonar a tintura de vez, dependendo da quantidade de vezes que você já cobriu seus fios com esse tipo de coloração, tem que ter paciência para esperar sair com as lavagens – só que até sair completamente seu cabelo já vai ter se renovado todo.

3 – Tonalizantes temporários ou fantasia

(ex: C-Kamura Color Intense, Keraton Banho de Brilho, Color Touch da Wella (também pode ser usado com revelador), Jeans Colors, máscaras matizadoras Lola, Dedicace da L’Oreal, Henna da Surya)

Tonalizantes temporários ou fantasia (como são chamados os coloridos) geralmente são formados por apenas 1 produto: um pigmento com metais pesados ou não (arsênio, chumbo, cádmio e outros) para ser aplicado nos fios secos ou úmidos, aguardar pelo menos 5 minutos e depois enxaguar.

As cores são apenas “brilhos” e desbotam mais rapidamente com a lavagem do que o tonalizante semi-permanente. Isso porque eles trabalham na parte de fora dos fios de cabelo, onde o shampoo chega, fazendo uma “capa” no fio com pigmento. Pode ser usado em cabelos muito finos, reage bem com todos os processos químicos, dificilmente ressecam o cabelo e não mudam sua estrutura. Por não ter fixador perde a cor original com poucas lavagens, levando alguns meses para sair completamente – mas dependendo do seu cabelo pode não sair (henna, por exemplo, não sai).  Se você tonalizar e se arrepender não adianta fazer decapagem (Efaçor ou Dekap Color) uma vez que neste caso o pigmento não está dentro do fio, onde esses produtos fazem efeito. O que funciona é lavar muito o cabelo com shampoo anti-resíduos ou sabão de coco para retirar gradativamente a coloração (o que geralmente danifica demais o cabelo), ou apelar para nova tonalização e, em último caso, descoloração. Para quem quer abandonar a tintura de vez tem que ter paciência para esperar sair com as lavagens, mas saiba que seu cabelo pode ficar manchado por um bom tempo.

RESUMINDO

  • Tinturas cobrem bem os brancos mas mexem na estrutura dos fios e NÃO SAEM. Desbotam com decapagem.
  • Tonalizantes semi-permanentes cobrem de forma mediana os cabelos brancos, não mexem na estrutura dos fios, demoram muito para sair e podem até NÃO SAIR MAIS. Decapagem não funciona, shampoo anti-resíduos sim.
  • Tonalizantes temporários cobrem os cabelos brancos por tempo muito reduzido, não mexem na estrutura dos fios, tendem a sair em alguns meses, podem manchar o cabelo e até NÃO SAIR MAIS. Decapagem não funciona, shampoo anti-resíduos sim.
  • O que influencia muito o resultado da aplicação ou da retirada da coloração do cabelo é a saúde e o tipo dos fios:
    • Fios finos tendem a reagir mal a qualquer tipo de química, já que quando perdem massa ou hidratação se quebram logo e ficam espigados.
    • Fios brancos são literalmente telas em branco, então tendem a “chupar” a química com intensidade, deixando a remoção bem mais difícil.

Meu conselho:

Procure processos que não usem ou usem o mínimo possível de metais pesados (cádmio, chumbo, arsênio, etc), derivados de minerais (petróleo ou petrolatos, silicones, parafina, etc), sulfatos (sais agressivos), amônia  e água oxigenada.

Quanto mais processos químicos você fizer sobre seus fios, mais danificados eles vão ficando. Vão desidratar, depois perder a forma, então perderão massa ficando quebradiços até espigar e ficar com aquela aparência de bruxa – pensa bem, não vale a pena.

Quer colorir? Se informe sobre o produto que você está usando e trate bem seu cabelo antes e depois. Produtos mais saudáveis são ligeiramente mais caros mas te poupam a grana da hidratação/cauterização/reconstrução constante no salão.

Quer parar de colorir? Tenha paciência, aposte na maquiagem para cabelos enquanto a raiz cresce e tire os resquícios com a tesoura.

Lembre-se: o que você passar vai ficar. ;)

2 anos de Projeto Gris!

Olá-olá!

Depois de muito tempo sem atualizar, cá estou eu pra contar como vai meu Projeto Gris.

2 anos se passaram. Incrível como passa rápido. Decidi parar de tingir os cabelos nas barbas do meu aniversário de 2014. Aproveitei que estava com o cabelo bem curtinho, seria mais fácil me livrar da tinta só deixando crescer, e lá fui eu para um looooongo processo de aceitação e aprendizado.

A primeira fase, com o cabelo ainda bem curto mas já aparecendo o grisalho, não foi das piores. Meu cabelo tinha umas 4 cores diferentes mas as pontas coloridas ainda predominavam no visual, então não sentia tanto o que estava fazendo.

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A segunda fase foi quando comecei a perceber os brancos de verdade. Começou a chamar atenção e as pessoas passaram a me olhar na rua. Mas meu cabelo ainda estava curto, a cor das pontas ainda muito chamativas. E eu não via minha nuca.

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A terceira fase foi a mais difícil. Meu cabelo ficou só com as pontinhas coloridas, e a maior parte dos fios naturais. Isso significa que o topo da cabeça ficava bem grisalho e a nuca bem castanha. Foi a fase que eu pensei seriamente em abandonar o projeto. Eu acordava de manhã e tomava sustos me olhando no espelho. Desgostava da minha imagem, até porque meu cabelo estava sem corte (se eu cortasse ele demoraria ainda mais a crescer, então usava grampos, arcos, lenços e qualquer coisa que ajudasse a arrumar). Mas, sabendo do topo branco, imaginava que quando estivessem mais longos, esses fios de cima cobririam os outros dando uma sensação de degradê. Apostei nisso e segui.

Olha o cabelo crescendo!

Na quarta fase finalmente comecei a entender que a minha intuição estava certa. O cabelo estava crescendo, meus cachos voltaram depois de quase 10 anos sumidos por causa da tintura, minha satisfação começou a acontecer – e os elogios também!

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A quarta fase foi longa. Pouco mudou da sensação do gris, só o comprimento ia mudando – e me deixando mais feliz. :)

(2015_07_31) Elisa - 1 ano gris-34-ANIMATION

Acho que agora posso considerar essa a quinta e última fase. Meu cabelo cresceu e minha intuição se confirmou: os fios brancos do topo da cabeça formam um degradê com a base ainda castanha e fica parecendo que eu fiz luzes platinadas. Muita gente me pergunta se eu fiz em salão. Muuuuitas mulheres me olham na rua. E quase todo mundo fica impressionado de eu ter 34 anos e tantos cabelos brancos.

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Com o fim da química pude entrar numa rotina low-poo, tirar todos os derivados de petróleo e metais pesados, deixar ele mais sadio. Fora que não sou mais escrava de tintura a cada 20 dias – o que me faz mega feliz!

Se vou seguir com ele assim pra sempre, não sei dizer. Sempre fui muito inquieta com cabelos, nunca tive medo de cortá-los, então pode ser que daqui a um tempo eu enjoe e decida mudar. Mas dessa experiência eu com certeza aprendi uma coisa: TINTURA NUNCA MAIS. Se for pra mudar de cor, só tonalizante – e de preferência o mais natural possível. Quem sabe roxo, azul, turquesa…?  :D

Enfim. Me acostumei completamente com meu cabelo gris. Às vezes olho umas fotos de quando tingia e acho esquisito, artificial. Agora sou eu de verdade. Gris aos 34. Hoje consigo dizer que gosto de verdade dele assim!

(2016_07_08) Lis Gris

 

Um ano depois

Esse mês completei um ano de processo gris.

Faz um ano que não pinto nem corto o cabelo. Isso porque quero deixar ele crescer. Quero ele comprido e gris. Sei que vai contra o “senso comum” de que cabelo gris tem que ser curto, mas acho que só vou curtir o meu 100% quando ele estiver abaixo do ombro.

(2015) Elisa Colepicolo-10 (2015_06 e 07) Restauração MN - Cadeira Giratória  -11

Sarah Harris, ídala, vou ter cabelão igual você, fia! rsrs…

Se você me perguntar como foi passar por esse processo durante esse ano vou dizer que não foi muito fácil não. E vou te explicar as fases.

1. Decisão

Quando decidi parar com a tinta estava com o cabelo bem curtinho. Achei que seria a hora certa de tentar, já que meu cabelo estava preto e a raiz crescendo no cabelo comprido dá um contraste fortíssimo, tipo “desleixo” mesmo. Foi uma boa decisão por um lado, mas hoje percebo que não necessariamente precisava ser assim. A Lia Amancio, por exemplo, encarou o cabelo tricolor num tamanho médio e talvez tenha sido até mais fácil, já que ela não teve que adaptar o corte também, só a cor.

Penso que se eu, com cabelo comprido ainda, resolvesse largar a tintura, poderia ir tonalizando com chás ou algo do tipo até o branco ter o tamanho suficiente para cortar as pontas tingidas. Seria uma solução.

Ou mesmo com cabelo curto, poderia ir tonalizando com os tais chás até chegar no tamanho que funcionasse melhor gris.

Enfim. Decidi abdicar de uma vez e assim fiz.

2. Acostumando

Acordei muitas manhãs e tomei um susto ao, ainda sonolenta, me olhar no espelho. 32 anos de cabelos castanhos ou pretos contra 1 de cabelo gris dá nisso.

Olhava no espelho e não me reconhecia. Pensei em desistir MUITAS vezes. Mas aí pensava: deixa o cabelo crescer primeiro pra ver como fica, depois você decide. É o que estou fazendo.

Tem dias que gosto muito, tem dias que desgosto. Quando estava mais curto, que a parte do topo da cabeça ficava bem gris e a nuca bem escura era pior. Quando ele começou a crescer mais e as mechas de cima começaram a sobrepor as mechas da nuca comecei a ficar mais feliz. Agora parece que eu fiz luzes cinzas.

3. Vida nova

Assumir o gris muda a vida. Porque você tem que tomar um mega cuidado pra não ficar com cara de velha. Não pode desleixar. Não dá pra usar aquela roupa surrada que às vezes você usava pra ir à padaria. Agora tem que ser mais cuidadosa com o visual todo, senão você fica apagadíssima.

Algumas roupas deixaram de combinar comigo porque chamar ainda mais atenção pro cabelo. O estilo acaba mudando. Eu, por exemplo, voltei a ser mais rock and roll. O estilo “florzinhas” tende a deixar a sensação de “velhinha”, então tem que passar a ter um estilão. Porque essa coisa meio sem personalidade pode te deixar com a cara da sua bisavó.

4. Os outros

“Você fez no salão ou…?”, “Não é possível que você tenha tantos cabelos branco, você é tão nova!”, “Não acredito que você fez isso!”, “Seu cabelo está incrível!”, “Ah, eu não faria isso!”…

Sim, você vai ouvir muitos comentários. MUITOS. As pessoas interagem muito com mulheres que resolvem assumir o cabelo gris antes do “padrão”. Se sentem impelidas à. Porque não entendem a decisão, porque sentem vontade e não tem coragem, porque acham bacana mas ainda não tem cabelos brancos pra isso. E interagem.

Ouço elogios de pessoas desconhecidas, coisa que nunca aconteceu antes. Passo por sabatina de perguntas dos conhecidos. Percebo pessoas encarando meu cabelo fixamente por muito tempo.

E no fim das contas recebo 95% de apoio contra 5% de dúvida. Porque não chegam a denegrir. Se não gostam, não falam. Quem fala, ou elogia ou pergunta, nunca critica.

5. Tingir, tonalizar ou assumir

TINTURA NUNCA MAIS. Posso até usar tonalizante industrializado (não pretendo), mas colocar aquela bomba química no meu cabelo não mais. Acredite, esse troço DETONA o cabelo. Sem tintura, o cabelo volta a respirar, a ter ser contorno natural, a ter brilho. Quem tinge o cabelo fala “o branco é rebelde”. Não é bem isso. O branco é mais grosso sim e tende a desidratar mais, mas o que torna o cabelo rebelde é a tinta. O cabelo fica enfraquecido e espiga, sem ter tratamento que realmente resolva já que tem uma camada grossa de produtos químicos sobre ele, impedindo que a hidratação natural aconteça.

Então, se você ainda não criou coragem de assumir seu gris, comece descartando a tintura. Passe pra um tonalizante ou pra uma coloração caseira a base de chá. É só procurar na internet, tem várias receitas (geralmente com chá preto e sálvia). Já vai ser um bom começo.

6. Futuro

As pessoas falam: “ah, novinha assim é fácil! Quero ver quando você for mais velha. Aí vai ver que o cabelo branco envelhece muito mais.” Eu penso nisso. Não sei se vai ser verdade. Acho que quando eu tiver 50 minha cabeça vai ser toda branca, igual à Vera Holtz. Se for, ótimo. Faço um corte mordernão e encaro. Se não, não sei dizer. Acho que se parar de me achar bonita volto a tonalizar. Pode ser amanhã ou com 50. O que vale é se sentir bem. E por enquanto eu tou bem assim.

10 meses

E o cabelo está crescendo!

E já está totalmente nítido o grisalho. Não dá mais pra disfarçar como há alguns meses atrás. Agora ele está quase chanel e o topo da minha cabeça é todo “sal e pimenta” – como o povo entendido chama cabelos grisalhos preto e branco.

Agora sou uma mulher “salt ‘n’ pepper”. ;)

 

 

E vou dizer que está engraçado. Outro dia o rapaz que corta frios na padaria perto de casa falou, tímido: “desculpa perguntar, mas esse cabelo é de salão ou…?”. “É meu mesmo”, respondi rindo e ele sorriu. E ele não foi o único a perguntar. Volta e meia acontece. Pessoas completamente desconhecidas às vezes perdem a vergonha e me abordam. Pessoas conhecidas – ou amigos de conhecidos – falam com mais desenvoltura. E geralmente a mesma coisa: “queria tanto ter coragem para assumir meu cabelo!”.

Eu encorajo todo mundo que me pergunta.

Não vou ser hipócrita: rola uns dias de “queria cabelo castanho hoje”. Mas não são muitos e passa. No geral eu fico é bem contente de não ter que me preocupar com raiz crescendo nem com manchas no cabelo e nem com hidratação.

Meu cabelo está tão bom que voltou a cachear depois de quase 10 anos. Desde que eu passei do tonalizante para a tintura não tinha creme no mundo que fizesse meu cabelo cachear. Agora, passando só shampoo, condicionador e RD (falo dele outro dia) meu cabelo fica ótimo! Isso porque ele está completamente sem corte já que não mexo nele desde julho passado.

Agora é esperar crescer ainda mais. Quero ver como ele vai ficar em tamanho médio. Ou grande. Por que não? Já que o topo da minha cabeça tem muuuuuito mais cabelo branco do que a parte perto da nuca, vai ser uma boa forma de “homogeneizar” tudo.

Pode deixar que eu volto e mostro.

Elisa Colepicolo - Projeto Gris

 

5 meses

16 de novembro. De julho pra cá, quando comecei esse blog, foram 4 meses. Desde minha última tintura já foram 5. E a grisalhice permanece.

Andei sumida, eu sei. Mas foi proposital. Não achei que valia a pena ficar mostrando cada centímetro crescido do meu cabelo. Ele estava bem curto, então fica difícil ver os resultados. Principalmente porque cortei bem curtinho (como dá pra ver na foto da primeira postagem, de 5 de julho) mas ainda assim não consegui tirar todo o resquício das colorações. Sobraram umas pontas de tintura e uns miolos de henna. E não saem. Nem com shampoo anti-resíduos nem com o tempo. Só com tesoura.

Projeto Gris - Elisa Colepicolo

Assim estou eu 5 meses passados!

Pois agora já estou beeeem grisalha. Com o cabelo um pouco maior dá pra ver melhor do que antes, mas ainda não está comprido o suficiente pra dar a sensação de uniformidade no cabelo. Por isso não tirei as pontas coloridas ainda. Quero ver como é que ele vai ficar comprido, “com caimento”.

Agora, vou te dizer: tá engraçado. Porque as pessoas começaram a me perguntar “começou a tingir o cabelo?”. Logo eu, que tingia desde os 16. Não parecia, agora parece. Porque a primeira coisa que as pessoas acham é que estou fazendo luzes. Aí quando percebem que não é loiro, é branco, ficam achando que eu fiz de propósito. E aí se espantam “mas você tem tudo isso de cabelo branco mesmo? Jura?”.

Sabe por que isso, né? Porque as mulheres não sabem a quantidade de cabelos brancos que tem. Elas tingem desde que nasce o primeiro e só param de tingir quando se assumem “velhas”. É uma máscara social fortíssima a tintura de cabelo. Ela esconde como as pessoas são de verdade. A grande maioria das mulheres, assim como eu antes de abandonar a tinta, não tem ideia de como são realmente, sem disfarces. Porque a tintura é um disfarce. Voluntário, mas quase impositivo. Afinal “você é jovem demais para abandonar a tintura” foi uma das coisas que eu mais ouvi antes de o cabelo ficar visualmente grisalho. Agora, explícito do jeito que está, poucos tem coragem de dizer isso.

Mas vou contar uma coisa: muita gente está elogiando. Gente que eu nem conheço. Gente que me olha e acha moderníssimo (!). Gente que fala “não achei que fosse ficar tão bom”. E isso é ótimo! Uma portinha aberta na cabeça de muita gente.

E você? Já abriu essa portinha?

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Tirando a henna

Não tá fácil.

Quando eu decidi usar henna pra substituir a tintura era pra ser mais natural, pra tentar não destruir tanto o cabelo. Falhei em não procurar informação. Tingimento é tingimento. Ponto. Não importa se com henna, tonalizante ou tintura, não vai sair do cabelo fácil. Aí só papel crepon. A he nna sai mais fácil que o tonalizante que sai sai mais fácil que a tintura, que só sai com decapagem. Ou seja, no fim das contas eu ter passado henna foi a melhor coisa pra essa transição, porque ela vai sair mais fácil do que as outras tinturas. Mas PELAMOR, ainda assim não sai!

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Bicarbonato de sódio: o pózinho que faz quase tudo, segundo o mundo da intenet.

Essa semana li na internet que lavar o cabelo com shampoo misturado com bicarbonato de sódio era uma espécie de shampoo antirresíduos caseiro. Tentei. O cabelo ficou bem mais limpo mesmo, deu pra sentir uma boa diferença. Mas é sódio, ou seja, sal. E todo mundo já sabe que excesso de sal não faz bem pro cabelo. E a henna mesmo continuou ali.

Aí ontem eu comprei um shampoo antirresíduos: AcquaFlora Equilíbrio Resíduos (sem sal).

A vendedora disse que ajudaria se eu passasse o shampoo duas vezes seguidas, mas não recomendou usar com muita frequência porque “engrossa o cabelo” (!?). E assim eu fiz. Lavei ontem em duas etapas. E hoje, no sol, já senti o avermelhado da henna mais fraco. Ainda tá longe de sair, mas já é um avanço. A história de engrossar eu acho que é porque o cabelo fica

Shampoo Acquaflora Equilíbrio Resíduos Sem Sal

Shampoo Acquaflora Equilíbrio Resíduos Sem Sal

mais áspero, já que você tira a oleosidade natural dos fios quando lava profundo. Apesar de ter usado um dia só, como eu já tinha lavado com o bicarbonato de sódio, consigo sentir essa diferença nos fios, mesmo usando um condicionador forte e RD Protein Cream depois. Mas nada grave.

Vou continuar usando e depois conto em quantas lavagens com ele foi preciso para a henna sumir.

Atualização:

Nem bicarbonato nem shampoo anti-resíduos. A henna não saiu com nada, só com corte. Então, amore, se você está pensando em passar henna nos cabelos porque “é melhor que tintura e sai mais rápido”, esqueça. É balela. A henna desbota mas não sai. :|