Superbonita: “Meu Cabelo, Minha Alma”

 

Nesta segunda, 4 de setembro, foi ao ar o episódio do programa Superbonita, do Canal GNT, que gravei falando da vida de gris.

O programa foi sobre cabelos, teve como personagem principal a cantora Paula Fernandes e como histórias paralelas a minha e a da digital influencer Luiza Junqueira.

O programa ficou massa, você viu? Se não consegiu ver, não tem problema, é só clicar no link aí em baixo e assistir. ;)

https://globosatplay.globo.com/gnt/v/6127087/

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Projeto Gris no Superbonita!

Hoje finalmente foi ao ar o episódio que gravei para o programa Superbonita, do canal GNT! Oba!
O programa ficou incrível! Fiquei muito feliz com o resultado!

As reapresentações são:
Terça 8:35
Quarta 18:00
Quinta 9:36
Sexta 04:30 e 14:00
Segunda 04:00

E assim que eles liberarem o video no site do canal eu posto aqui! ;)

Diz aí: você viu?

Ser gris é ser Superbonita!

3 anos de Projeto Gris

 

3 anos de Projeto Gris! U-hu!

Se alguém me contasse em julho de 2014 que tudo isso aconteceria porque eu deixei de usar tintura no cabelo eu não acreditaria. Porque eu jamais imaginei que uma atitude tão minha, tão simples, se tornaria algo tão coletivo e tão complexo.

Pra você que ainda não sabe, quando eu completei 32 anos eu decidi parar de tingir o cabelo. Era Copa de 2014, eu estava com o cabelo bem curtinho e achei que era a oportunidade ideal para fazer testes – já que seria bem mais fácil me livrar da tinta com ele crescendo sem ela.

Fiz isso depois de mais de ano de reflexão. Tive medo, muitas dúvidas. Foi quando as buscas por jovens grisalhas na internet me revelou que não existia nada em português sobre o assunto. Achei em inglês e justo a Sarah Harris, a elegante editora de moda da Vogue inglesa nascida no mesmo ano que eu, com uma longa cabeleira gris que nunca recebeu uma gota de tinta. Era o encorajamento que eu precisava.

Poucos dias antes do meu aniversário eu oficializei a decisão lançando o Projeto Gris, e fui registrando o processo pra me ajudar a superar a dificuldade da transição – com o compromisso do blog os dias de “bad hair” e desânimo não me deixavam voltar atrás.

No fim das contas o Projeto Gris acabou sendo mais do que isso. Aos poucos outras mulheres foram chegando por aqui, contando suas histórias, desabafando sobre suas incertezas do antes e durante a transição. E tem sido uma felicidade muito grande poder ajudar de alguma forma mulheres que, como eu, não querem mais a obrigação de fazer algo que não gostam.

TESTE DE FIDELIDADE

Quando eu parei de tingir muita gente me perguntou se eu estava certa disso, se era pra sempre. Sempre disse que não fazia ideia – “pra sempre” é muito tempo. Uma coisa eu entendi logo de cara: tintura permanente não volta mais pro meu cabelo. Mas tonalizantes…

Sabe como é. Eu sempre fui inquieta com cabelo.

Em 2016, no meu aniversário, me deu uma vontade doida de pintar o cabelo de roxo. Tonalizante “fantasia”, o mais fraco que eu encontrei (o extinto Lola Colors, sem usar o fixador), pra sair logo. Só zueira.

Fiz com medo, mas fiz.

Roxa, de Lola Colors

Foi divertido… por 3 dias. Depois disso eu já tava morrendo de saudades do meu gris, forçando a barra pra tirar aquela “intensidade” toda da minha cabeça. Mas era Lola, então em um mês usando shampoo anti-resíduo eu já tinha meu gris de volta.

Acalmei… até março desse ano.

Um dia, no meio de um mês ruim e estressado, ansiosa com tudo, quis mudar alguma coisa. Mas o quê? “Poxa, sempre quis me ver ruiva. Por que não?”. Só que dessa vez fui contra toda minha nerdice, não pesquisei, entrei numa perfumaria e escolhi pela cor que eu vi na embalagem, acreditando no “sai em até 8 lavagens”  do rótulo, sem pensar em mais nada – era um Keraton Banho de Brilho Conhaque. MAIOR-BURRADA-DO-ANO. O ruivo ficou bonito mas em 3 dias, de novo, eu já tava desesperada pra ter meu gris de volta. Mas pergunta se ele saiu? Não teve shampoo anti-resíduo, dekap color, sabão de coco que arrancasse a porcaria do meu cabelo. Entrei em contato com o suporte da Kert que me tratou muito bem mas não tinha solução pra me dar – nunca sequer testaram em quantas lavagens isso sai do cabelo (!). Descobri que a verdade do “sai em até 8 lavagens” é que o tom da foto da embalagem dura até 8 lavagens, depois disso o cabelo fica manchado por um loooooongo tempo. :/

Ruiva, de Keraton Banho de Brilho

O resultado disso? Quase destruí meu cabelo pra ter meu gris de volta.

As lições? Nunca mais passar qualquer coisa no cabelo sem pesquisar.

TENDÊNCIA

Como já falei, em 2014 não existia referência em português sobre jovens grisalhas. Mal existia sobre mulheres (de qualquer idade) que decidiam assumir seus cabelos gris naturais. Talvez por isso fui parar no mídia.

O primeiro jornal a me procurar foi O Fluminense, da região metropolitana do Rio de Janeiro, em 2015. “O Dia“, jornal do Rio, veio na cola – eles sacaram que tinha algo novo no ar… um cheiro de “tendência”.

Nessa época começaram a surgir os primeiros grupos sobre o assunto no Facebook. No “Tenho cabelos brancos, e daí?” eu fiz uma postagem contando minha trajetória pra incentivar outras mulheres a assumirem seu gris. O post rendeu centenas de comentários e curtidas, um artigo no site “Hypeness”, uma matéria no Portal G1 e no site Wotopi do Japão, e um hangout com o canal Conexão Feminista. Em curso tem documentário de pesquisadores da UFF, uma matéria pra um grande portal de internet e um programa de beleza na TV a cabo.

A tendência se confirmou.

PRIMAVERA GRIS

Os grupos do Facebook cresceram, surgiram contas no Instagram, reportagens diversas em jornais e TV. O gris veio pra ficar.

Pelas ruas tenho visto muitas gris (oba!), cada vez mais. A estranheza que eu causava quando passava tem sido substituída por elogios. As perguntas do tipo “é de salão ou é seu?” estão perdendo espaço para elogios aos meus cachos, de tão natural que o gris está ficando.

Mas não se engane: a “primavera” ainda está em curso. Muita gente ainda tem restrição, muitas pessoas ainda torcem o nariz, muitas empresas ainda não aceitam suas funcionárias gris. Ser gris ainda é um “ato de rebeldia”.

Gris e de Pinching

NOVES FORA

Minhas considerações desses 3 anos:

1) Referência é importante. Quanto eu comecei minhas pesquisas eu me achava meio maluca – mal tinha completado 30 anos e queria jogar tudo pro alto e assumir meu cabelo gris. Não conhecia nenhuma mulher da minha idade grisalha e isso me deixava “deslocada”. Quando eu descobri a Sarah Harris parei de me sentir maluca e passei a ter uma referência. E esse foi um dos motivos da existência do Projeto Gris, dar a mão pra outras mulheres sentirem que não estão sozinhas.

2) A pressão é forte. Não parece, mas é. Às vezes nem é direta, nem sempre alguém fala “Por que você não tinge o cabelo?”. Mas tem os comerciais, as revistas, os filmes, as prateleiras, o dia-a-dia. Tem o que a gente se acostuma a achar “normal”. E pra estar “fora do normal” tem que ter peito.

3) A decisão é só sua. Talvez sua família torça o nariz se você disser que pensa em virar gris. Talvez teus amigos riam da sua ideia. Talvez as pessoas te desencorajem. Mas ninguém sabe como é pra você, ninguém vive o que você vive. Então é uma questão de prioridades – quando a prioridade deixa de ser os outros para ser você aí sim é possível tomar a decisão de parar de tingir.

3) Por mais que o gris já esteja “aceito” pelo seu cérebro, a coloração vai te tentar. Isso é normal. Um colorista me disse outro dia: “os homens ficam ansioso e vão beber ou gastar dinheiro com bobagem, as mulheres mudam o cabelo”. Eu já tive cabelos de várias cores e cortes, não seria agora que eu não sentiria impulsos de mudar. A questão é como “brincar de cor” sem manchar o cabelo.

4) É libertador. Muito. Não me sentir obrigada a ter o cabelo que não é meu, não me preocupar se “a raiz crescida está aparecendo”, não ficar entupindo meu cabelo de creme para compensar os estragos da tintura. Apenas cuidar do cabelo como deveria ser: deixá-lo saudável (e consequentemente bonito).

5) É lindo! <3

Ou seja, 3 anos e muitas histórias depois, tenho cada vez mais certeza da escolha que fiz – e sou muito feliz por isso. :)

PS:  Não, eu não esqueci da data, mas como estou num momento correria da vida, lançando junto com meu marido o PINCHING (uma joia de nariz não perfurante que você deve ter visto em algumas das fotos do post) pela loja virtual que construímos <www.diio.com.br>, então acabei empurrando para depois. Mas eis aqui!

O gris da Andréia Mariano

Este blog Projeto Gris começou pra contar o meu processo de assumir meus cabelos grisalhos porque eu não encontrava nada em português sobre mulheres jovens gris. Era o meu processo, mas ao longo do tempo muitas outras mulheres vieram aqui nos comentários contar suas histórias – e eu adorei!

Sempre falo: “Contem mais! Compartilha com todo mundo aqui!”

E a Andréia Mariano topou contar o processo dela! Valeu, Andreia! :D

Se você quiser contar o seu processo também é só me mandar um email: pralili@gmail.com .

O gris da Andreia Mariano

“Comecei a perceber os primeiros fios de cabelos brancos aos 15 anos, minhas amigas na escola olhavam e sempre queriam arrancar. Nessa época eu devia ter uns 5 fios brancos, com o tempo foi aumentando e não me importava muito, mas as pessoas sempre diziam “você está ficando velha” , “devia tingir o cabelo” ou “vai ficar com cara de velha”. Engraçado como as pessoas sempre associam cabelos brancos á velhice.

Aos 20 anos já tinha bastante e comecei a tingir. No começo até achava divertido, era interessante mudar a cor, algumas vezes pintava de castanho, em outras usava uns tons mais avermelhados, ficava trocando de cor, mas depois de algum tempo os fios começaram a ficar estragados por causa da tinta.

Crescia muito rápido e ás vezes em menos de 15 dias já precisava tingir de novo, tentei usar henna por um tempo por ser considerada uma tinta natural, mas desbotava muito fácil e além disso, pelo que li, contém mais chumbo do que as outras. Nessa época pensei em parar de tingir, mas desisti e comecei a usar tonalizante. O tonalizante não desbotava, mas como passei por cima da henna acabou estragando mais do que a tinta.Depois de algum tempo de tonalizante o cabelo já estava muito danificado. Fui a um cabeleireiro, ele disse que meu cabelo estava muito estragado e que precisava cuidar melhor, falei que pensava em parar de tingir fazia tempo, ele achou que era uma idéia péssima, afinal a cor era castanho escuro e o branco crescendo daria um contraste muito grande. Perguntei sobre técnicas para retirar a tinta, para que não desse esse contraste na hora de deixar crescer, mas ele não recomendou, disse que provavelmente estragaria muito mais e o resultado não seria bom. Ele sugeriu que eu fizesse luzes e mais pra frente ficasse totalmente loira, então ignorei essa idéia, afinal isso seria totalmente o oposto do que buscava, queria deixar natural, se fizesse luzes, ficaria ainda mais ressecado e precisando retocar sempre!!!  Saí de lá e decidi que não iria mais tingir, deixaria crescer e pronto. Queria ter meu cabelo natural!

O cabelo foi crescendo, algumas pessoas criticaram, outras apoiaram, muita gente dizia que eu ficaria com cara de velha. Mas não me importava se as outras pessoas iriam gostar ou não. O que importava de verdade era meu cabelo natural. Claro que ás vezes dava um pouco de insegurança, mas decidi que não daria ouvidos ao que falavam. Quando o cabelo cresceu, eu estava gostando bastante e algumas pessoas começaram a achar interessante também. Um dia me mostraram a Sarah Harris e a Isabel Marant com os cabelos brancos naturais e elas estavam lindas!!! Foi pra me incentivar mesmo, porque a essa altura muita gente já não queria mais que eu desistisse dos brancos. Acho que a gente tem que ser do jeito que quiser! Eu estava gostando e isso que importava.

Agora está mais comum deixar os cabelos naturais, tingir de branco, platinar, mas quando parei de tingir não era tão comum ainda (parei no final de 2013, com 28 anos).

Hoje gosto como está e o engraçado é que virou moda tingir o cabelo de branco, então as pessoas sempre me perguntam como consegui essa cor (quase nunca pensam que é natural rsrsrs). Algumas pessoas também perguntam se não vou tingir nunca mais… acho isso muito radical, se eu tiver vontade de tingir de novo eu vou tingir. Mas por enquanto gosto assim.

Bjsss
Andréia”

Vão ter jovens gris sim!

Medo pra quê?

Eu demorei quase um ano pra decidir parar de tingir o cabelo.

Toda vez que eu pensava no assunto eu sentia medo. Medo mesmo, físico. Aquele frio na barriga de quem vai fazer algo errado. Me olhava no espelho, a raiz branca crescendo no cabelo tingido de castanho escuro, e sofria de uma ansiedade louca. Queria largar a tinta mas morria de medo.

A pergunta que um dia me fiz foi: MEDO DE QUÊ?

Encara esse medo, mulher! :D

Encara esse medo, mulher! :D

Nem eu sabia. Era um medo tão intrincado, tão aprofundado, tão inconsciente, que ele se manifestava sem nem passar pelo meu racional. Era do fundo da alma pro meio da barriga, sem nem passar pelo cérebro. Eu então comecei a refletir mais sobre ele, sobre o que as pessoas falavam, sobre os comentários que eu ouvia toda vez que eu jogava no ar quase como brincadeira que se eu pudesse pararia de tingir o cabelo. E percebi que é feita uma “lobotomia” nas mulheres pra que elas não queiram envelhecer. Claro que os homens também não querem envelhecer, mas para eles a idade está mais ligada ao amadurecimento do que à velhice. Já para as mulheres não: se você envelhece você perdeu, deu errado, desleixou.

Essa lobotomia é feita na menina que é elogiada por ser novinha. Na adolescente que é enaltecida porque está na flor da juventude. Através das revistas de adolescentes que só mostram mulheres também adolescentes e nunca tratam com naturalidade do envelhecer, fazendo as mães-tias-avós parecerem extraterrestres. E piora muito com as revistas para mulheres adultas que vendem “fórmulas mágicas” para ficar jovem sempre, veladamente condenando a idade; vendem todo tipo de produto e ideia com modelos magras, brancas e adolescentes, com fotos muito bem tiradas e tratadas, dando a entender que só é digna de beleza quem é daquele jeito; e, claro, impõem cabelos incríveis que custam horas de preparo das modelos e hair stylists como se fossem a coisa mais acordei-assim do mundo. Através da televisão, com mulheres sempre “jovens”, mesmo que à base de muitas plásticas e tintura.

Só uma observação: há alguns anos rolou um papo que a Globo estava com dificuldade de escalar atrizes para papéis de avós em suas obras pois todas as atrizes com idades para serem avós estavam lotadas botox e plásticas, todas tentando esticar suas juventudes até o final da corda. Não sei se foi verdade, mas se você prestar atenção, quantas atrizes consagradas se dão a liberdade da Cássia Kis Magro e da Vera Holtz de aceitar a pele e os cabelos naturais e poderem aceitar todo tipo de personagem que sua idade lhes presenteia?

Voltando. Me dei conta que tinha medo e não sabia de quê. E quando me dei conta que o medo era “de envelhecer” percebi que era um mega paradoxo, já que eu era nova – e mais, que eu não tinha medo de envelhecer.

Sempre acreditei que a gente é o que a gente vive. Todas as pessoas que passam pela nossa vida, todos os momentos (bons e ruins) que vivemos, todos os lugares que conhecemos – isso forma o que somos. Então se você não envelhece você não viveu. Se você não consegue assumir quem você é de verdade, naturalmente, você precisa cuidar de sua auto-estima. Porque todo mundo envelhece. TODO MUNDO. Inclusive você. E fique feliz por isso porque a outra alternativa ao envelhecimento é a morte.

Então no dia que me dei conta que eu estava refém de um “padrão social impossível”, que eu estava com medo de algo que conscientemente eu não tinha medo, e que eu poderia apenas tentar um novo visual (sem compromisso, sem gravidade), eu acalmei e o medo baixou.

Confesso que o medo não passou de uma vez só. É tudo muito profundo pra ser superado assim de uma hora pra outra. Não existe mágica. É uma desconstrução diária – afinal foi uma construção diária, durante anos. E os tijolinhos ainda estão dentro de mim, ainda me pego muitas vezes me comparando com modelos irreais, me cobrando por não ser perfeita como me mandam ser. Mas sei que já desconstruí muito.

O importante disso é que essa liberdade traz muita felicidade. Sério. Se livrar do medo é uma delícia! Saber quem se é, do que gosta de verdade, ver outras cores, outras formas, outros estilos. Tentar coisas novas. Procurar o que te faz feliz!

Então eu te pergunto e você me responde: medo pra quê? ;)

Projeto Gris no Japão!

Esse mês a Noriko Tanaka, correspondente em terras tupiniquins do site japonês Wotopi, entrou em contato comigo para fazer um artigo sobre o Projeto Gris!

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Projeto Gris em japonês!

Tivemos um papo super legal, onde contei pra ela sobre meu processo e ela me contou como as japonesas são ainda mais reticentes sobre cabelos gris do que nós, brasileiras – o que, confesso, me impressionou muito. Sempre chega pra gente aqui aquelxs japonesxs modernérrimxs, com cabelos ousados e coloridos, então tinha a sensação que elxs eram bem tranquilxs sobre isso, mas ela me contou que essa modernidade é aceita apenas aos jovens. Quando se entra na vida adulta as mulheres são “pressionadas” a seguir um padrão de beleza de cabelos castanhos ou pretos, com cortes mais comportados. O gris lá só é assumido por mulheres pra lá de 60 anos, e não com muita frequência.

Noriko viu na minha história uma oportunidade de mostrar para as japonesas que é possível sim assumir seus cabelos naturais, independente de sua idade! E eu fiquei muito feliz de pode falar pra gente do outro lado do mundo que o que importa é ser feliz como se é!

Abaixo vai a transcrição que a Noriko gentilmente fez da entrevista (o google tradutor é péssimo em japonês-português). Mas vale dar uma olhada lá no Wotopi pra prestigiar o trabalho dela! ;)

http://wotopi.jp/archives/42493

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“Por que eu assumo meus cabelos brancos” – Entrevista com a blogueira grisalha do Brasil

Por Noriko Tanaka

Elisa Colepicolo (34 anos) mora no Rio de Janeiro, Brasil. Ela decidiu “assumir seus cabelos brancos”, e começou a escrever o blog “Projeto Gris” há dois anos para incentivar mulheres jovens grisalhas. O blog dela acabou fazendo sucesso entre as mulheres grisalhas e ela tem sido entrevistada pela mídia, por vários jornais.

Cabelos brancos muitas vezes são vistos como sinal de “desleixo” e “velhice”, mas por qual motivo ela decidiu assumir isso? O que ela conseguiu perceber com esta decisão?

 

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Motivo de parar de tingir o cabelo

– Quando os cabelos grisalhos começaram a aparecer?

Elisa Colepicolo: A primeira vez que eu achei fios brancos foi quando eu tinha 16 anos. Mas tinha só um fio, depois outro fio… Comecei a passar tonalizante no cabelo mas era simplesmente por diversão.
Depois dos vinte e poucos anos tinha que tingir todos os meses, e quando fui chegando aos 28 anos o tonalizante começou a ficar complicado, ele desbotava rápido. E resolvi passar para a tintura, mas meu cabelo foi ficando muito ruim, ficou danificado, comecei a ter muita queda.
Depois de parar de tingir que percebi que não caía mais tanto, foi então que descobri que isso era por causa da tintura.
Quando cheguei aos 30 anos, comecei a me questionar “E se eu parasse pintar o cabelo…?”

A referência foi Sarah Harris da Vogue inglesa.

Colepicolo: Muitas brasileiras fazem coisas para parecerem mais novas, como por exemplo botox, cirurgia, etc… E é difícil de quebrar essa barreira.
Acho que tem duas ideias muito difundidas: “Mulher jovem não pode ter cabelo branco” e “Se ter cabelo branco, não pode ter cabelo comprido”.

Quando estava procurando mulheres que assumiram seus cabelos brancos eu achei a Sarah Harris, uma editora da Revista Vogue inglesa. Ela foi a primeira mulher jovem que eu achei que realmente era natural. E descobri que ela também começou a ter cabelo grisalho aos 16 anos e com 31 anos já estava todo grisalho. Ela tem cabelo comprido até quase a cintura, e bem grisalho. E ela é muito bonita e elegante! Eu comecei a pensar “Dá pra ter cabelo branco! Pode ficar legal! Então… por que não tentar?”

O marido não era muito favorável, mas…

– Você falou pra outras pessoas sobre o seu pensamento de não tingir mais o cabelo? O que eles acharam?

Colepicolo: Meu marido inicialmente não curtia muito a ideia… “Ah, não! Por que parar de tingir? Você ainda é muito nova!” (risos)

– Quando parou de tingir mesmo?

Colepicolo: Quando estava com 31 anos, em abril ou maio, meu marido entrou de férias do trabalho e perguntou “O que você acha se eu descolorir meu cabelo?” Ele também era grisalho. Eu respondi “Vai lá, descolore! Cabelo cresce. Se não gostar, depois corta ou pinta de novo…”.

Ele ficou meio impressionado de eu aceitar a ideia dele, mas descoloriu e adorou. Realmente ficou lindo, combinou super com ele. E ao mesmo tempo, ele ficou sem argumentos. “Se ele podia descolorir, por que eu não podia deixar de pintar?!” (risos)

Aí em julho daquele ano, na época de completar 32 anos, resolvi parar de tingir, e comecei o blog.

Queria fazer “algo” para as mulheres que não queriam mais pintar

– Por que você começou o blog “Projeto Gris”?

Colepicolo: Eu já procurava na internet mulheres grisalha desde os 30 anos, época que comecei a pensar em parar de tingir, mas só achava mulheres bem mais velhas do que eu, nunca da minha idade, nunca nem perto da minha idade. E quando achava alguma coisa era em inglês, como Sarah Harris. Mas não achava nada em português.

Fiquei pensando na quantidade de mulheres que passavam pela mesma coisa que eu, que tinham essa curiosidade de saber como é que mulheres jovens ficam quando assumem o cabelo branco, mas não conseguiam achar nada. Aí, já que eu ia fazer isso, eu podia fazer o processo fotografando pra mim e compartilhar pra ajudar outras pessoas também.
“Tenho cabelos brancos, e daí?!”

– Depois de começar o blog, como foi repercussão?

Colepicolo: Não posto todo dia, escrevo a cada 2 meses ou 3 meses. Porque tem que ter alguma mudança no cabelo. No começo, não tinha muito acesso. Quando fez 1 ano as pessoas começaram a chegar no blog. Meu cabelo ficou maior e fios brancos ficaram mais aparentes.

Quando completou 2 anos do Projeto Gris eu estava vendo o Facebook e apareceu essa página, “Tenho cabelos brancos – e daí?!”, como sugestão acesso. Aí fui ver como era e vi que mulheres falavam ali sobre os cabelos delas.

Aí eu escrevi. Minha postagem original recebeu quase 1000 curtidas, e quase 100 comentários. Então o site “Hypeness” compartilhou minha postagem e meu blog bombou. E fui entrevistada pelos jornais famosos daqui também. O negócio foi virando uma bola de neve.

Eu jamais imaginei nada disso só pelo simples fato de não pintar mais meu cabelo. E agora até no Japão! (risos)

No meu blog muitas mulheres novas comentaram que “tiveram medo de não pintar mas que agora começaram a ter coragem” ou esse tipo de coisa. Antigamente eu que procurava isso e agora estou feliz em conseguir incentivar mulheres que só querem ser felizes.

Muita gente acha estranho eu assumir meus cabelos brancos tendo menos de 35 anos. Mas cabelo branco nem sempre significa “velhice”, é uma coisa genética, então mesmo eu sendo jovem ele cresce!

Nos primeiros meses que eu parei de tingir as pessoas na rua me perguntavam “Porque não pinta cabelo?! Você é tão nova!…”. Mas agora muita gente me diz “Está bonita!”, “Ficou legal”.

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Importante é “TER CONSCIÊNCIA DA ESCOLHA”

– Favor deixar uma mensagem para as mulheres japonesas.

Colepicolo: Não quero que vocês achem que eu sou contra pintar cabelo. Se você gosta de pintar cabelo, se divirta, continue! Mas se não gosta, pare! Tente! Você vai se olhar no espelho e se achar bonita, isso é ótima decisão.

Isso não é só para o cabelo mas sim para qualquer coisa que você faça. O ruim na vida é a gente fazer as coisas por obrigação. Isso não vale a pena. Importante é ter consciência da escolha. As pessoas querem ser igual a todo mundo mas você não precisa ser igual a ninguém. Todo mundo nasce diferente. Os outros vão dizer como você deve ser ou se comportar mas você que tem que procurar o que TE faz feliz.

Mas isso aí ninguém vai te dizer, não. Você mesma que vai achar o seu caminho.

 

 

Gris ou não Gris – eis a questão.

Desde a matéria do Hypeness, dO Dia e, depois, do G1, muita gente me procurou e procurou o blog. Mulheres que, como eu, sentem vontade de se libertar da pressão para tingir o cabelo.

É preciso deixar uma coisa clara: não tem nada de errado em tingir o cabelo. Se você sente prazer com o processo e com o resultado, maravilha! Curta seu momento em casa ou no salão. Curta seus fios coloridos – de qual cor você escolher. O importante é que você está feliz.

Mas se você acha que seu cabelos terem cores artificiais não é estímulo suficiente para que você passe por horas de tingimento uma ou duas vezes ao mês, então pare.

Entenda uma coisa: você não precisa fazer isso. Você pode. Se você quiser. E a pergunta é: você quer?

O que eu quero dizer é que tingir o cabelo (e tudo mais o que você faz com o seu corpo) tem que ser uma escolha. Você tem o direito de refletir sobre o assunto, entender o quanto isso te afeta positiva ou negativamente, e tomar a decisão que vai te deixar mais feliz. Independente dos outros. Independente do que você está acostumada a achar que é o “certo”. Certo é o que vai te fazer feliz.

A vida é curta demais pra viver aprisionada a medos e infelicidades.

Ainda mais quando estamos falando de coisas completamente alteráveis, como cabelos. Se você não detonar o seu couro cabeludo, você poderá fazer o que quiser com seu cabelo em curtos períodos de tempo. Cortar, tingir, parar de tingir, deixar crescer. A escolha é sua.

Então vamos começar por aí. O que é mais importante pra você: se sentir livre do tingimento ou manter a cor que você nasceu ou escolheu ter?

No meu caso, eu detestava tanto o processo de tingimento e estava tão infeliz com o resultado dele no meu cabelo que, apesar do medo, decidi que queria tentar não tingi-lo. Não foi uma decisão fácil. Demorei mais de um ano refletindo sobre o assunto. Não conhecia ninguém por perto que tivesse minha idade e tantos cabelos brancos quanto eu. A única referência que eu encontrei foi a jornalista Sarah Harris, editora de moda da Vogue inglesa, que tem a minha idade e longos cabelos gris. Me senti encorajada por ela. Ela fez com que eu não me sentisse louca sozinha. Porque isso vai sim acontecer. Em algum momento você vai se sentir louca de estar na contra-mão do mundo. Você vai se perguntar por que está fazendo isso. Você vai se olhar no espelho e se sentir feia. Porque você se acostumou com o mundo dizendo que cabelos gris são feios, que mulheres jovens não podem ser gris, que não é possível sair fora do que o mundo conhece como “normal”. Você vai bambear na decisão, especialmente antes de terminar a transição da tinta pro gris. Vai acordar de manhã, se olhar no espelho e perguntar quem é a pessoa que você está olhando. Afinal, você passou mais de 30 anos olhando para uma mulher de cabelos castanhos (ou pretos, ou loiros, ou ruivos) e, do nada, ela não existe mais. Você vai ter que se acostumar a outra você.

Todo mundo precisa de referência. A minha foi Sarah Harris.

Todo mundo precisa de referência. A minha foi Sarah Harris.

Não quero desanimar ninguém com esse papo. Ao contrário. Estou sendo realista pra dar a real noção do que vai acontecer. Você vai conhecer outra pessoa, outra você. E se você vai gostar dela ou não, você só vai descobrir tentando.

Porque também tem isso. Quando falamos em se libertar da tintura, não precisa ser pra sempre. Você tem todo o direito de não gostar. De pensar que você prefere mesmo tingir. Não tem problema mudar de ideia. Não tem problema não gostar. Mas tem sim problema querer e não tentar. Porque você vai sempre ficar com a sensação que nem tentou, que não teve coragem, que não aguenta mais fazer o que faz mas não teve forças… para ser você.

Sempre me perguntam se eu gosto do meu cabelo como está hoje. Eu respondo que sim, porque é verdade. Mas eu tenho a tranquilidade de saber que eu posso mudar de opinião quando eu quiser. Porque o cabelo é meu, o corpo é meu, a vida é minha. Eu só tenho que me sentir feliz. Senão, de que adianta?

E você, está feliz?

Se você souber inglês ou se entender bem com o google tradutor, abaixo vai o link de uma entrevista que a Sarah Harris deu para o jornal The Telegraph, contando sobre seu gris.

http://www.telegraph.co.uk/women/life/ive-had-grey-hair-since-i-was-16/