Superbonita: “Meu Cabelo, Minha Alma”

 

Nesta segunda, 4 de setembro, foi ao ar o episódio do programa Superbonita, do Canal GNT, que gravei falando da vida de gris.

O programa foi sobre cabelos, teve como personagem principal a cantora Paula Fernandes e como histórias paralelas a minha e a da digital influencer Luiza Junqueira.

O programa ficou massa, você viu? Se não consegiu ver, não tem problema, é só clicar no link aí em baixo e assistir. ;)

https://globosatplay.globo.com/gnt/v/6127087/

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Projeto Gris no Superbonita!

Hoje finalmente foi ao ar o episódio que gravei para o programa Superbonita, do canal GNT! Oba!
O programa ficou incrível! Fiquei muito feliz com o resultado!

As reapresentações são:
Terça 8:35
Quarta 18:00
Quinta 9:36
Sexta 04:30 e 14:00
Segunda 04:00

E assim que eles liberarem o video no site do canal eu posto aqui! ;)

Diz aí: você viu?

Ser gris é ser Superbonita!

UOL: “Revolução grisalha: como tirar os cabelos brancos do armário”

Daniela Carasco – Do UOL, em São Paulo – 19/08/2017 04h00

Os cabelos brancos estão na moda. Na TV e no cinema, celebridades como Cássia Kis, Helen Mirren e Vera Holtz ostentam seus grisalhos com muita personalidade. Fora das telas, eles também vêm se popularizando: cada vez mais mulheres têm tirado os seus do armário. E a decisão chega acompanhada de uma sensação unânime de liberdade.

A designer de ambientes e empresária Karla Giaretta, 48, decidiu pela transição há três anos. Dona de fios curtos, tingidos desde os 30 de castanho, ela concluiu que era hora de assumir sua “natureza genética”. “Tenho cabelo branco desde os 23. Arranquei muitos fios até começar a pintar. Sempre quis ser mais valorizada pelos meus atributos intelectuais e não pelos físicos. Ao assumir os brancos, deixei isso claro”, conta.

A mudança foi radical. Karla raspou a cabeça e decidiu esperar os novos fios crescerem de maneira natural. A transformação veio acompanhada de elogios femininos e muitas críticas masculinas. “Várias mulheres diziam que queriam ter a mesma coragem, já meus amigos homens me aconselhavam a cobri-los novamente. Antes, eu gastava no mínimo duas horas no salão. Agora, só lavo com produtos específicos e deixo secar ao ar livre. É libertador”, diz.

No senso comum, uma transformação como essa costuma ser relacionada a uma aparência envelhecida. Karla rebate: “Me deixou com uma feição muito mais delicada”. Para deixar o rosto mais marcado, recorre à maquiagem. “Sem falsa modéstia, me acho linda assim.”

Como nascem — e devem ser tratados — os fios brancos

O dermatologista e tricologista Valcinir Bedin, presidente da Sociedade Brasileira do Cabelo, explica que o branqueamento dos fios acontece à medida que as células produtoras de melanina morrem. “Nos negros é mais comum a partir dos 55 anos, entre os amarelos por volta dos 45, e nos caucasianos brancos depois dos 35”, diz.

Essa morte celular, segundo o especialista, abre espaço para o aparecimento de bolhas de ar, que no lugar da melanina deixam o fio mais grosso e poroso. Por isso, é importante usar xampu, condicionador e creme ricos em ativos hidratantes — como aloe vera, pantenol, ceramidas, colágeno, elastina e óleos vegetais.

Produtos específicos para cabelo grisalho são ótimos aliados. Eles costumam ter tonalidade arroxeada, que deixa o branco mais vivo e menos amarelado. “Evite lavá-los todos dias e não use xampu antirresíduos, que resseca ainda mais”, ensina Valcinir.

Quer encarar a transição?

A grisalha Elisa Colepicolo, 35, autora do Projeto Gris, dedicado ao assunto, discorda dos especialistas que sugerem recorrer aos tonalizantes para encarar a transformação de maneira menos radical. “É só uma forma de adiar o inevitável”, diz ela, que assumiu os brancos há três anos. “Corre o risco de o cabelo ficar manchado. O ideal é esperar crescer e contar com a ajuda de acessórios para mantê-los no lugar”

O processo, segundo ela, não é fácil. No início, a imagem refletida no espelho lhe rendeu muitas crises. “Mas o resultado depois de um ano e meio me confortou. É libertador não ter mais o compromisso de tingir.” Hoje, ela celebra os fios mais saudáveis longe da química, que prejudica a estrutura capilar, e turbina os cuidados com produtos livres de parabeno, sulfato e silicone. “Sinto que meu fio desintoxicou. Meus cachos voltaram”, comemora.

Leia no UOL: https://estilo.uol.com.br/beleza/noticias/redacao/2017/08/19/revolucao-grisalha-como-tirar-os-cabelos-brancos-do-armario.htm?cmpid=copiaecola

O gris da Andréia Mariano

Este blog Projeto Gris começou pra contar o meu processo de assumir meus cabelos grisalhos porque eu não encontrava nada em português sobre mulheres jovens gris. Era o meu processo, mas ao longo do tempo muitas outras mulheres vieram aqui nos comentários contar suas histórias – e eu adorei!

Sempre falo: “Contem mais! Compartilha com todo mundo aqui!”

E a Andréia Mariano topou contar o processo dela! Valeu, Andreia! :D

Se você quiser contar o seu processo também é só me mandar um email: pralili@gmail.com .

O gris da Andreia Mariano

“Comecei a perceber os primeiros fios de cabelos brancos aos 15 anos, minhas amigas na escola olhavam e sempre queriam arrancar. Nessa época eu devia ter uns 5 fios brancos, com o tempo foi aumentando e não me importava muito, mas as pessoas sempre diziam “você está ficando velha” , “devia tingir o cabelo” ou “vai ficar com cara de velha”. Engraçado como as pessoas sempre associam cabelos brancos á velhice.

Aos 20 anos já tinha bastante e comecei a tingir. No começo até achava divertido, era interessante mudar a cor, algumas vezes pintava de castanho, em outras usava uns tons mais avermelhados, ficava trocando de cor, mas depois de algum tempo os fios começaram a ficar estragados por causa da tinta.

Crescia muito rápido e ás vezes em menos de 15 dias já precisava tingir de novo, tentei usar henna por um tempo por ser considerada uma tinta natural, mas desbotava muito fácil e além disso, pelo que li, contém mais chumbo do que as outras. Nessa época pensei em parar de tingir, mas desisti e comecei a usar tonalizante. O tonalizante não desbotava, mas como passei por cima da henna acabou estragando mais do que a tinta.Depois de algum tempo de tonalizante o cabelo já estava muito danificado. Fui a um cabeleireiro, ele disse que meu cabelo estava muito estragado e que precisava cuidar melhor, falei que pensava em parar de tingir fazia tempo, ele achou que era uma idéia péssima, afinal a cor era castanho escuro e o branco crescendo daria um contraste muito grande. Perguntei sobre técnicas para retirar a tinta, para que não desse esse contraste na hora de deixar crescer, mas ele não recomendou, disse que provavelmente estragaria muito mais e o resultado não seria bom. Ele sugeriu que eu fizesse luzes e mais pra frente ficasse totalmente loira, então ignorei essa idéia, afinal isso seria totalmente o oposto do que buscava, queria deixar natural, se fizesse luzes, ficaria ainda mais ressecado e precisando retocar sempre!!!  Saí de lá e decidi que não iria mais tingir, deixaria crescer e pronto. Queria ter meu cabelo natural!

O cabelo foi crescendo, algumas pessoas criticaram, outras apoiaram, muita gente dizia que eu ficaria com cara de velha. Mas não me importava se as outras pessoas iriam gostar ou não. O que importava de verdade era meu cabelo natural. Claro que ás vezes dava um pouco de insegurança, mas decidi que não daria ouvidos ao que falavam. Quando o cabelo cresceu, eu estava gostando bastante e algumas pessoas começaram a achar interessante também. Um dia me mostraram a Sarah Harris e a Isabel Marant com os cabelos brancos naturais e elas estavam lindas!!! Foi pra me incentivar mesmo, porque a essa altura muita gente já não queria mais que eu desistisse dos brancos. Acho que a gente tem que ser do jeito que quiser! Eu estava gostando e isso que importava.

Agora está mais comum deixar os cabelos naturais, tingir de branco, platinar, mas quando parei de tingir não era tão comum ainda (parei no final de 2013, com 28 anos).

Hoje gosto como está e o engraçado é que virou moda tingir o cabelo de branco, então as pessoas sempre me perguntam como consegui essa cor (quase nunca pensam que é natural rsrsrs). Algumas pessoas também perguntam se não vou tingir nunca mais… acho isso muito radical, se eu tiver vontade de tingir de novo eu vou tingir. Mas por enquanto gosto assim.

Bjsss
Andréia”

Vão ter jovens gris sim!

Medo pra quê?

Eu demorei quase um ano pra decidir parar de tingir o cabelo.

Toda vez que eu pensava no assunto eu sentia medo. Medo mesmo, físico. Aquele frio na barriga de quem vai fazer algo errado. Me olhava no espelho, a raiz branca crescendo no cabelo tingido de castanho escuro, e sofria de uma ansiedade louca. Queria largar a tinta mas morria de medo.

A pergunta que um dia me fiz foi: MEDO DE QUÊ?

Encara esse medo, mulher! :D

Encara esse medo, mulher! :D

Nem eu sabia. Era um medo tão intrincado, tão aprofundado, tão inconsciente, que ele se manifestava sem nem passar pelo meu racional. Era do fundo da alma pro meio da barriga, sem nem passar pelo cérebro. Eu então comecei a refletir mais sobre ele, sobre o que as pessoas falavam, sobre os comentários que eu ouvia toda vez que eu jogava no ar quase como brincadeira que se eu pudesse pararia de tingir o cabelo. E percebi que é feita uma “lobotomia” nas mulheres pra que elas não queiram envelhecer. Claro que os homens também não querem envelhecer, mas para eles a idade está mais ligada ao amadurecimento do que à velhice. Já para as mulheres não: se você envelhece você perdeu, deu errado, desleixou.

Essa lobotomia é feita na menina que é elogiada por ser novinha. Na adolescente que é enaltecida porque está na flor da juventude. Através das revistas de adolescentes que só mostram mulheres também adolescentes e nunca tratam com naturalidade do envelhecer, fazendo as mães-tias-avós parecerem extraterrestres. E piora muito com as revistas para mulheres adultas que vendem “fórmulas mágicas” para ficar jovem sempre, veladamente condenando a idade; vendem todo tipo de produto e ideia com modelos magras, brancas e adolescentes, com fotos muito bem tiradas e tratadas, dando a entender que só é digna de beleza quem é daquele jeito; e, claro, impõem cabelos incríveis que custam horas de preparo das modelos e hair stylists como se fossem a coisa mais acordei-assim do mundo. Através da televisão, com mulheres sempre “jovens”, mesmo que à base de muitas plásticas e tintura.

Só uma observação: há alguns anos rolou um papo que a Globo estava com dificuldade de escalar atrizes para papéis de avós em suas obras pois todas as atrizes com idades para serem avós estavam lotadas botox e plásticas, todas tentando esticar suas juventudes até o final da corda. Não sei se foi verdade, mas se você prestar atenção, quantas atrizes consagradas se dão a liberdade da Cássia Kis Magro e da Vera Holtz de aceitar a pele e os cabelos naturais e poderem aceitar todo tipo de personagem que sua idade lhes presenteia?

Voltando. Me dei conta que tinha medo e não sabia de quê. E quando me dei conta que o medo era “de envelhecer” percebi que era um mega paradoxo, já que eu era nova – e mais, que eu não tinha medo de envelhecer.

Sempre acreditei que a gente é o que a gente vive. Todas as pessoas que passam pela nossa vida, todos os momentos (bons e ruins) que vivemos, todos os lugares que conhecemos – isso forma o que somos. Então se você não envelhece você não viveu. Se você não consegue assumir quem você é de verdade, naturalmente, você precisa cuidar de sua auto-estima. Porque todo mundo envelhece. TODO MUNDO. Inclusive você. E fique feliz por isso porque a outra alternativa ao envelhecimento é a morte.

Então no dia que me dei conta que eu estava refém de um “padrão social impossível”, que eu estava com medo de algo que conscientemente eu não tinha medo, e que eu poderia apenas tentar um novo visual (sem compromisso, sem gravidade), eu acalmei e o medo baixou.

Confesso que o medo não passou de uma vez só. É tudo muito profundo pra ser superado assim de uma hora pra outra. Não existe mágica. É uma desconstrução diária – afinal foi uma construção diária, durante anos. E os tijolinhos ainda estão dentro de mim, ainda me pego muitas vezes me comparando com modelos irreais, me cobrando por não ser perfeita como me mandam ser. Mas sei que já desconstruí muito.

O importante disso é que essa liberdade traz muita felicidade. Sério. Se livrar do medo é uma delícia! Saber quem se é, do que gosta de verdade, ver outras cores, outras formas, outros estilos. Tentar coisas novas. Procurar o que te faz feliz!

Então eu te pergunto e você me responde: medo pra quê? ;)

Tod@s querem liberdade!

Essa semana que passou publiquei um depoimento na página “Tenho Cabelos Brancos, E Daí?” do Facebook. Contei da minha experiência pessoal e do Projeto Gris. Pra minha surpresa a postagem bombou, com quase mil curtidas, centenas de comentários e dezenas de compartilhamentos!

Postagem do fb - 27ago2016

Por conta disso, a Brunna Condini, jornalista do jornal O Dia aqui do Rio de Janeiro, entrou em contato me convidando para participar de uma matéria sobre mulheres gris, que sairia no final de semana. Saiu! Você pode ver nesse post aqui.

CADERNOD1-2__03-09-16

Projeto Gris no jornal O Dia

Também por causa disso o site hypeness.com fez uma matéria sobre a postagem e como as mulheres estão curtindo ser gris! Você pode ver nesse outro post aqui.

Hypennes - 5set2016

Projeto Gris no Hypeness.com

Sabe o que isso quer dizer, na minha opinião? Que as mulheres estão ansiosas por liberdade! Querem ser elas mesmas, ser feliz como são – e todo empurrãozinho é bem-vindo.

Fico feliz em poder inspirar outras mulheres que não gostam de tintura a se libertar, mas quero dizer que não é só da tintura: liberte-se dos hábitos que você não gosta, que não te fazem feliz. Não se obrigue a ser diferente do que você é porque os outros “falam” ou “acham”, ou porque as revistas de beleza “ensinam”.

Seja você! Seja feliz! ;)