Colorações: pintando e retirando

Já vai fazer 3 anos que eu parei de tingir o cabelo. E lembro que um mês antes de eu decidir parar eu tentei tonalizar meu cabelo com henna. Foi um desastre, claro. Meu cabelo estava com tintura permanente e eu joguei um tonalizante que desbotou logo mas só saiu com corte, mais de um ano depois.

Então achei que faltava explicar pra quem ainda não sabe – e está no processo de assumir os gris – como funciona cada tipo de coloração e a possibilidade de remoção.

1 – Tinturas Permanentes

(ex: Imedia da L’Oreal, Nutrisse da Garnier, Majirel da L’Oreal, Koleston da Wella, Beauty Color, etc)

Tinturas geralmente são formadas por um kit com 2 ou 3 produtos para serem misturados: um pigmento com metais pesados (arsênio, chumbo, cádmio e outros), um revelador com amônia (às vezes água oxigenda) e um hidratante que pode ser adicionado na mistura ou aplicado após a lavagem. Você mistura os ingredientes, aplica nos fios, aguarda pelo menos 30 minutos e depois enxagua.

Elas possuem cores vivas e desbotam pouco com a lavagem. Isso porque elas trabalham na parte de dentro dos fios de cabelo, onde o shampoo não chega, trocando a cor original do fio pelo pigmento. Por ser um procedimento agressivo não é aconselhada para cabelos muito finos, não reage bem com outros processos químicos, tende a ressecar o cabelo e mudar sua estrutura (os cabelos muitas vezes “perdem a forma natural”). Por isso também são tão difíceis de remover – se você tingir e se arrepender vai ter que usar produtos pesados de decapagem (Efaçor ou Dekap Color) para retirar UM POUCO da coloração ou apelar para o descolorante – o que geralmente danifica demais o cabelo. Para quem quer abandonar a tintura de vez, dependendo da quantidade de vezes que você já cobriu seus fios com esse tipo de coloração (geralmente anos de uso), a única solução é mesmo o corte.

2 – Tonalizantes Semi-Permanentes

(ex: Casting Creme Gloss da L’Oreal, Soft Color da Wella, Maxton da Embelleze, Color Touch da Wella, etc)

Tonalizantes semi-permanentes geralmente são formados por um kit com 2 ou 3 produtos para serem misturados: um pigmento com metais pesados ou não (arsênio, chumbo, cádmio e outros), um fixador sem amônia e um hidratante que pode ser adicionado na mistura ou aplicado após a lavagem. Você mistura os ingredientes, aplica nos fios, aguarda pelo menos 30 minutos e depois enxagua.

As cores são mais “nuances” e desbotam de forma progressiva com a lavagem. Isso porque eles trabalham na parte de fora dos fios de cabelo, onde o shampoo chega, fazendo uma “capa” no fio com pigmento. Pode ser usado em cabelos muito finos, reage bem com grande parte dos processos químicos, pode ressecar um pouco o cabelo mas não muda sua estrutura. Por ter um fixador tende a impregnar no cabelo deixando a retirada bem difícil, levando muitos meses para sair completamente – se sair.  Se você tonalizar e se arrepender não adianta fazer decapagem (Efaçor ou Dekap Color) uma vez que neste caso o pigmento não está dentro do fio, onde esses produtos fazem efeito. O que funciona é lavar muito o cabelo com shampoo anti-resíduos ou sabão de coco para retirar gradativamente a coloração (o que geralmente danifica demais o cabelo), ou apelar para nova tonalização e, em último caso, descoloração. Para quem quer abandonar a tintura de vez, dependendo da quantidade de vezes que você já cobriu seus fios com esse tipo de coloração, tem que ter paciência para esperar sair com as lavagens – só que até sair completamente seu cabelo já vai ter se renovado todo.

3 – Tonalizantes temporários ou fantasia

(ex: C-Kamura Color Intense, Keraton Banho de Brilho, Color Touch da Wella (também pode ser usado com revelador), Jeans Colors, máscaras matizadoras Lola, Dedicace da L’Oreal, Henna da Surya)

Tonalizantes temporários ou fantasia (como são chamados os coloridos) geralmente são formados por apenas 1 produto: um pigmento com metais pesados ou não (arsênio, chumbo, cádmio e outros) para ser aplicado nos fios secos ou úmidos, aguardar pelo menos 5 minutos e depois enxaguar.

As cores são apenas “brilhos” e desbotam mais rapidamente com a lavagem do que o tonalizante semi-permanente. Isso porque eles trabalham na parte de fora dos fios de cabelo, onde o shampoo chega, fazendo uma “capa” no fio com pigmento. Pode ser usado em cabelos muito finos, reage bem com todos os processos químicos, dificilmente ressecam o cabelo e não mudam sua estrutura. Por não ter fixador perde a cor original com poucas lavagens, levando alguns meses para sair completamente – mas dependendo do seu cabelo pode não sair (henna, por exemplo, não sai).  Se você tonalizar e se arrepender não adianta fazer decapagem (Efaçor ou Dekap Color) uma vez que neste caso o pigmento não está dentro do fio, onde esses produtos fazem efeito. O que funciona é lavar muito o cabelo com shampoo anti-resíduos ou sabão de coco para retirar gradativamente a coloração (o que geralmente danifica demais o cabelo), ou apelar para nova tonalização e, em último caso, descoloração. Para quem quer abandonar a tintura de vez tem que ter paciência para esperar sair com as lavagens, mas saiba que seu cabelo pode ficar manchado por um bom tempo.

RESUMINDO

  • Tinturas cobrem bem os brancos mas mexem na estrutura dos fios e NÃO SAEM. Desbotam com decapagem.
  • Tonalizantes semi-permanentes cobrem de forma mediana os cabelos brancos, não mexem na estrutura dos fios, demoram muito para sair e podem até NÃO SAIR MAIS. Decapagem não funciona, shampoo anti-resíduos sim.
  • Tonalizantes temporários cobrem os cabelos brancos por tempo muito reduzido, não mexem na estrutura dos fios, tendem a sair em alguns meses, podem manchar o cabelo e até NÃO SAIR MAIS. Decapagem não funciona, shampoo anti-resíduos sim.
  • O que influencia muito o resultado da aplicação ou da retirada da coloração do cabelo é a saúde e o tipo dos fios:
    • Fios finos tendem a reagir mal a qualquer tipo de química, já que quando perdem massa ou hidratação se quebram logo e ficam espigados.
    • Fios brancos são literalmente telas em branco, então tendem a “chupar” a química com intensidade, deixando a remoção bem mais difícil.

Meu conselho:

Procure processos que não usem ou usem o mínimo possível de metais pesados (cádmio, chumbo, arsênio, etc), derivados de minerais (petróleo ou petrolatos, silicones, parafina, etc), sulfatos (sais agressivos), amônia  e água oxigenada.

Quanto mais processos químicos você fizer sobre seus fios, mais danificados eles vão ficando. Vão desidratar, depois perder a forma, então perderão massa ficando quebradiços até espigar e ficar com aquela aparência de bruxa – pensa bem, não vale a pena.

Quer colorir? Se informe sobre o produto que você está usando e trate bem seu cabelo antes e depois. Produtos mais saudáveis são ligeiramente mais caros mas te poupam a grana da hidratação/cauterização/reconstrução constante no salão.

Quer parar de colorir? Tenha paciência, aposte na maquiagem para cabelos enquanto a raiz cresce e tire os resquícios com a tesoura.

Lembre-se: o que você passar vai ficar. ;)

Projeto Gris no Japão!

Esse mês a Noriko Tanaka, correspondente em terras tupiniquins do site japonês Wotopi, entrou em contato comigo para fazer um artigo sobre o Projeto Gris!

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Projeto Gris em japonês!

Tivemos um papo super legal, onde contei pra ela sobre meu processo e ela me contou como as japonesas são ainda mais reticentes sobre cabelos gris do que nós, brasileiras – o que, confesso, me impressionou muito. Sempre chega pra gente aqui aquelxs japonesxs modernérrimxs, com cabelos ousados e coloridos, então tinha a sensação que elxs eram bem tranquilxs sobre isso, mas ela me contou que essa modernidade é aceita apenas aos jovens. Quando se entra na vida adulta as mulheres são “pressionadas” a seguir um padrão de beleza de cabelos castanhos ou pretos, com cortes mais comportados. O gris lá só é assumido por mulheres pra lá de 60 anos, e não com muita frequência.

Noriko viu na minha história uma oportunidade de mostrar para as japonesas que é possível sim assumir seus cabelos naturais, independente de sua idade! E eu fiquei muito feliz de pode falar pra gente do outro lado do mundo que o que importa é ser feliz como se é!

Abaixo vai a transcrição que a Noriko gentilmente fez da entrevista (o google tradutor é péssimo em japonês-português). Mas vale dar uma olhada lá no Wotopi pra prestigiar o trabalho dela! ;)

http://wotopi.jp/archives/42493

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“Por que eu assumo meus cabelos brancos” – Entrevista com a blogueira grisalha do Brasil

Por Noriko Tanaka

Elisa Colepicolo (34 anos) mora no Rio de Janeiro, Brasil. Ela decidiu “assumir seus cabelos brancos”, e começou a escrever o blog “Projeto Gris” há dois anos para incentivar mulheres jovens grisalhas. O blog dela acabou fazendo sucesso entre as mulheres grisalhas e ela tem sido entrevistada pela mídia, por vários jornais.

Cabelos brancos muitas vezes são vistos como sinal de “desleixo” e “velhice”, mas por qual motivo ela decidiu assumir isso? O que ela conseguiu perceber com esta decisão?

 

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Motivo de parar de tingir o cabelo

– Quando os cabelos grisalhos começaram a aparecer?

Elisa Colepicolo: A primeira vez que eu achei fios brancos foi quando eu tinha 16 anos. Mas tinha só um fio, depois outro fio… Comecei a passar tonalizante no cabelo mas era simplesmente por diversão.
Depois dos vinte e poucos anos tinha que tingir todos os meses, e quando fui chegando aos 28 anos o tonalizante começou a ficar complicado, ele desbotava rápido. E resolvi passar para a tintura, mas meu cabelo foi ficando muito ruim, ficou danificado, comecei a ter muita queda.
Depois de parar de tingir que percebi que não caía mais tanto, foi então que descobri que isso era por causa da tintura.
Quando cheguei aos 30 anos, comecei a me questionar “E se eu parasse pintar o cabelo…?”

A referência foi Sarah Harris da Vogue inglesa.

Colepicolo: Muitas brasileiras fazem coisas para parecerem mais novas, como por exemplo botox, cirurgia, etc… E é difícil de quebrar essa barreira.
Acho que tem duas ideias muito difundidas: “Mulher jovem não pode ter cabelo branco” e “Se ter cabelo branco, não pode ter cabelo comprido”.

Quando estava procurando mulheres que assumiram seus cabelos brancos eu achei a Sarah Harris, uma editora da Revista Vogue inglesa. Ela foi a primeira mulher jovem que eu achei que realmente era natural. E descobri que ela também começou a ter cabelo grisalho aos 16 anos e com 31 anos já estava todo grisalho. Ela tem cabelo comprido até quase a cintura, e bem grisalho. E ela é muito bonita e elegante! Eu comecei a pensar “Dá pra ter cabelo branco! Pode ficar legal! Então… por que não tentar?”

O marido não era muito favorável, mas…

– Você falou pra outras pessoas sobre o seu pensamento de não tingir mais o cabelo? O que eles acharam?

Colepicolo: Meu marido inicialmente não curtia muito a ideia… “Ah, não! Por que parar de tingir? Você ainda é muito nova!” (risos)

– Quando parou de tingir mesmo?

Colepicolo: Quando estava com 31 anos, em abril ou maio, meu marido entrou de férias do trabalho e perguntou “O que você acha se eu descolorir meu cabelo?” Ele também era grisalho. Eu respondi “Vai lá, descolore! Cabelo cresce. Se não gostar, depois corta ou pinta de novo…”.

Ele ficou meio impressionado de eu aceitar a ideia dele, mas descoloriu e adorou. Realmente ficou lindo, combinou super com ele. E ao mesmo tempo, ele ficou sem argumentos. “Se ele podia descolorir, por que eu não podia deixar de pintar?!” (risos)

Aí em julho daquele ano, na época de completar 32 anos, resolvi parar de tingir, e comecei o blog.

Queria fazer “algo” para as mulheres que não queriam mais pintar

– Por que você começou o blog “Projeto Gris”?

Colepicolo: Eu já procurava na internet mulheres grisalha desde os 30 anos, época que comecei a pensar em parar de tingir, mas só achava mulheres bem mais velhas do que eu, nunca da minha idade, nunca nem perto da minha idade. E quando achava alguma coisa era em inglês, como Sarah Harris. Mas não achava nada em português.

Fiquei pensando na quantidade de mulheres que passavam pela mesma coisa que eu, que tinham essa curiosidade de saber como é que mulheres jovens ficam quando assumem o cabelo branco, mas não conseguiam achar nada. Aí, já que eu ia fazer isso, eu podia fazer o processo fotografando pra mim e compartilhar pra ajudar outras pessoas também.
“Tenho cabelos brancos, e daí?!”

– Depois de começar o blog, como foi repercussão?

Colepicolo: Não posto todo dia, escrevo a cada 2 meses ou 3 meses. Porque tem que ter alguma mudança no cabelo. No começo, não tinha muito acesso. Quando fez 1 ano as pessoas começaram a chegar no blog. Meu cabelo ficou maior e fios brancos ficaram mais aparentes.

Quando completou 2 anos do Projeto Gris eu estava vendo o Facebook e apareceu essa página, “Tenho cabelos brancos – e daí?!”, como sugestão acesso. Aí fui ver como era e vi que mulheres falavam ali sobre os cabelos delas.

Aí eu escrevi. Minha postagem original recebeu quase 1000 curtidas, e quase 100 comentários. Então o site “Hypeness” compartilhou minha postagem e meu blog bombou. E fui entrevistada pelos jornais famosos daqui também. O negócio foi virando uma bola de neve.

Eu jamais imaginei nada disso só pelo simples fato de não pintar mais meu cabelo. E agora até no Japão! (risos)

No meu blog muitas mulheres novas comentaram que “tiveram medo de não pintar mas que agora começaram a ter coragem” ou esse tipo de coisa. Antigamente eu que procurava isso e agora estou feliz em conseguir incentivar mulheres que só querem ser felizes.

Muita gente acha estranho eu assumir meus cabelos brancos tendo menos de 35 anos. Mas cabelo branco nem sempre significa “velhice”, é uma coisa genética, então mesmo eu sendo jovem ele cresce!

Nos primeiros meses que eu parei de tingir as pessoas na rua me perguntavam “Porque não pinta cabelo?! Você é tão nova!…”. Mas agora muita gente me diz “Está bonita!”, “Ficou legal”.

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Importante é “TER CONSCIÊNCIA DA ESCOLHA”

– Favor deixar uma mensagem para as mulheres japonesas.

Colepicolo: Não quero que vocês achem que eu sou contra pintar cabelo. Se você gosta de pintar cabelo, se divirta, continue! Mas se não gosta, pare! Tente! Você vai se olhar no espelho e se achar bonita, isso é ótima decisão.

Isso não é só para o cabelo mas sim para qualquer coisa que você faça. O ruim na vida é a gente fazer as coisas por obrigação. Isso não vale a pena. Importante é ter consciência da escolha. As pessoas querem ser igual a todo mundo mas você não precisa ser igual a ninguém. Todo mundo nasce diferente. Os outros vão dizer como você deve ser ou se comportar mas você que tem que procurar o que TE faz feliz.

Mas isso aí ninguém vai te dizer, não. Você mesma que vai achar o seu caminho.

 

 

Toda mulher é meio Leila Diniz

Em junho de 2013 o jornal O Globo publicou uma reportagem em sua revista de domingo sobre mulheres que assumiam seus cabelos gris. Lembro que nessa época eu já falava aos quatro ventos que ia tomar coragem para me libertar da tintura a qualquer momento – para incômodo geral. Quando saiu a reportagem uma amiga, que já tinha me ouvido bradar a ameaça algumas vezes, guardou a revista e me deu: “pra te inspirar”, ela disse.

A reportagem pode ser lida nesse link aqui. É bem interessante, apesar das dicas quase sempre equivocada dos cabelereiros (a dica de uma das entrevistadas é beeeem melhor). E destaco um parágrafo que me chamou atenção:

“As mulheres que adotam o visual grisalho aos 40, 50 anos fazem uma pequena revolução simbólica. Assim como exibir a barriga passou a ser lindo após a aparição de Leila (Diniz), elas libertam quem não aguenta mais pintar os cabelos só por obrigação. Elas não estão apenas assumindo os fios brancos, mas mostrando uma forma alternativa, mais singular e bonita de envelhecer — afirma Mirian (Goldenberg), que no segundo semestre lança o livro “Belas velhas”. — Usar cabelos brancos é uma atitude de vanguarda: elas estão adiantando uma liberdade que normalmente só seria conquistada após os 60 anos.”

Então, gata, não tenha medo. Assuma seu lado Leila Diniz. Seja você. Seja Feliz! ;)

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Foto que ilustrou a matéria: Roberta Ferro (de verde, com cabelo curto), Fatima Amaral (de laranja), Maira Jung (de roxo), Ana Maria Castelo Branco (de verde, com cabelo comprido) e Liliu Castelo Branco (de azul): turma do prateado – Camilla Maia / Agência O Globo

Hypeness.com: “As mulheres estão assumindo seus cabelos brancos; não importa a idade”

por Redação Hypeness

Foi-se o tempo em que cabelos brancos eram sinal de descuido ou velhice. Cada vez mais mulheres de variadas idades estão assumindo seus fios como eles são, dizendo adeus à tinturas e tonalizantes.

Esse processo de transição geralmente se dá após a falta de identificação com cabelos opacos e sem vida, que vão se tornando cada dia mais danificados após tanta química. Foi o caso da paulista Elisa Colepicolo, que relatou à página Tenho cabelos brancos, e daí?, uma comunidade de apoio online às grisalhas, sobre como foi abandonar a visita ao salão a cada 15 dias para dizer sim aos seus fios naturais:

“Comecei a ter cabelos brancos aos 16 anos – e com os tonalizantes também. Aos 26 comecei a notar que tonalizar já não era fácil, e passei para a tintura. Aos 32 estava com o cabelo manchado, tendo que fazer retorques a cada 15 dias, sem cachos, danificado, triste. Odiando esse processo e curiosa sobre a situação real do meu cabelo (que mal lembrava que cor era), aproveitei um corte curtinho que fiz para experimentar ser natural. O máximo que poderia acontecer seria eu não gostar e, 40 minutos depois, estar tingida de novo. Em 2014 me libertei da tinta e, pra registrar o processo e dar referência em português (uma raridade na época) pra outras mulheres na mesma situação, criei o blog Projeto Gris. Lá se vão 2 anos. Nunca mais tingi, tonalizei nem sequer cortei meus cabelos. Eles voltaram a ter brilho e forma, como há muito não acontecia. Eu voltei a ter paz com meus cabelos e, depois de um longo processo de aceitação (lutando contra toda a pressão social da beleza padrão), hoje não consigo mais me imaginar diferente. Me sinto linda assim! E incentivo todas as pessoas que me perguntam. Assuma! Seja você! Seja feliz!”.

O depoimento de Elisa fez sucesso, e além de inúmeras curtidas e compartilhamentos, veio acompanhado de muitos outros desabafos nos comentários:

“Os meus estão assumidos brancos desde 2010! Aguentei a pressão e não me arrependo! Os meus brancos apareceram por volta dos 12 anos!” – Helena Leardini

“Faz uns 3 anos que os meus estão livres. Agora tô deixando crescer de novo! Adoro quando me perguntam aonde fiz os reflexos brancos.” – Sonaira Dávila

“Amei, Elisa Colepicolo! Os primeiros fios brancos já estão acontecendo por aqui. Estou na fase da aceitação. É difícil, me dei conta de como ainda estou a mercê das pressões sociais e padrões de beleza, mas tenho certeza que vou me libertar. É uma constante desconstrução, mas eu chego lá. Adorei o projeto! Parabéns e sim, você está linda!” – Teresa Duque Estrada

“Adoro ter cabelos brancos. Tenho desde os 30 anos e agora com 60 estão cada vez mais bonitos!” – Fátima da Silva

“Serei e já sou dessas… Rsrsrs embora eu não tenha muito cabelo, mas os brancos tem dado o ar da graça, envelhecer faz parte se amar é tão natural quanto…” – Luciane Ramos Madruga

“Cansei de tirar a originalidade do meu cabelo. Assumi de vez os brancos, que aliás já amava. Parabéns a todas nós que aguentam com todo orgulho, as críticas amargas e até acho, meio invejosas. Pois pra isso temos que ter personalidade forte, que acredito que quem critica, não tem!” – Cláudia Rogéria Moura

Apesar de tanto apoio, a resistência e o preconceito com os fios prateados ainda é grande.Seja por pressão da sociedade, seja por falta de costume mesmo. O fato é que deve ser libertador não depender mais de tinturas e reconhecer seu cabelo como ele realmente é, do jeitinho que a natureza fez. Mas, se você não gosta dos seus fios assim, tudo bem. Vale branco, vale loiro, vale ruivo, vale castanho, vale preto, vale rosa e vale azul também. O que não vale é se tornar escrava de algo que não seja para agradar quem mais importa na sua vida: você!

Imagens © Reprodução Facebook

As mulheres estão assumindo seus cabelos brancos  não importa a idade - corte

Link pra matéria online: http://www.hypeness.com.br/2016/08/as-mulheres-estao-assumindo-seus-cabelos-brancos-nao-importa-a-idade/

Jornal O Dia: “Cabelos brancos em alta! Cada vez mais as mulheres deixam de tingir os fios”

Mulherada está assumindo o grisalho com orgulho

02/09/2016 22:33:00
BRUNNA CONDINI

Rio – “No teu cabelo negro brilham estrelas cadentes, arredias”. O trecho do poema ‘O Banho de Xampu’, da inglesa Elizabeth Bishop, faz uma alusão apaixonada aos cabelos brancos. Eles estão com tudo e não são motivo de vergonha para as mulheres que os revelam.

“A vida moderna vai muito bem com a naturalidade. É preciso ser forte. Hoje, as pessoas que me criticaram estão grisalhas também e gratas pela minha atitude”, conta Elvira Helena Martins, atriz e cantora, de 61 anos. “Uso assim há 17 anos. Naquela época, não existia quase ninguém que assumisse os cabelos brancos. Havia um conceito que ficar grisallha envelheceria”, diz. “Me sinto poderosa. Profissionalmente, só me ajudou. Ganhei papéis por conta deles”, completa.

Não é fácil ‘remar’ contra o padrão, mas vale a pena. Fazendo coro com ela, a consultora de museologia Elisa Colepicolo, de 34 anos, deixou a natureza seguir seu curso nos fios, ainda mais cedo. “Encontrei meu primeiro cabelo branco aos 16 anos, mas virou justificativa para brincar de tonalizar de vermelho ou preto”, revela.

Como a maioria das mulheres que tingem os cabelos, Elisa sentiu-se escrava da situação: “Fiquei infeliz. O cabelo parou de cachear, ficava espigado, opaco, e precisava de retoque a cada 15 dias. Comecei a me questionar por que é que eu era obrigada a fingir ter os cabelos que eu não tinha”.

Dessa inquietação, surgiu em 2014 o ‘Projeto Gris’, um blog onde ela divide e relata o processo. “Quando me perguntam por que eu parei de tingir, eu respondo: porque eu sou assim, esse é o meu cabelo”.

A cantora Suely Mesquita nunca tingiu os cabelos por conta dos brancos. “Gostava do contraste de cabelos pretos com a pele clara e tingia de preto total”. Aos 56 anos, Suely percebe a diferença na textura dos cabelos prateados, mas isso não a incomoda. “É preciso achar novos cortes, xampus. Até a relação com a cor das roupas muda”.

A hair stylist Ana Luiza Bartelega acha a decisão corajosa e um reflexo das conquistas femininas. “A mulher está confiante. O grisalho exige cuidado, mas dá menos trabalho do que voltar ao salão de 15 em 15 dias”, diz.

Link pra matéria no site aqui: http://odia.ig.com.br/diversao/2016-09-02/cabelos-brancos-em-alta-cada-vez-mais-as-mulheres-deixam-de-tingir-os-fios.html

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Matéria do jornal O Dia de 03 de setembro de 2016

“Seja inovadora – mas não muito”

Tenho 34 anos e desde 2014 assumi meus cabelos brancos – e são muitos!

Quando decidi assumir percebi que temos pouquíssima informação em português sobre isso. Foi quando decidi registrar meu processo aqui no Projeto Gris, pra tentar ajudar outras mulheres que tenham vontade de seguir pelo mesmo caminho.

E tenho a dizer que a desinformação sobre isso ainda é gigante. Por isso muita gente, muito cabeleireiro inclusive (alguns até falando isso em reportagens de jornais, revistas e internet), dá bola-fora.

Ontem li esse artigo aqui, em que citam uma matéria no jornal com comentários de um cabelereiro “dando dicas”. Fiquei chocada com o despreparo com o gris.

Primeiro que usar mais química para tirar química é uma loucura. Seja descoloração, tintura ou tonalizante, a não ser que seu cabelo seja 100% branco, de qualquer jeito você vai ter que passar pelo ano e meio com cabelo com duas ou mais cores. Mais fácil usar uma maquiagem lavável durante esse período, se a bagunça de cores te incomodar muito, ou cortar curtinho pra crescer com eles naturais de uma vez. Mas não apele pra química, não vale a pena.

Outra coisa é esse estigma de que mulheres de cabelo gris não podem ter cabelos compridos. Ué, se você já está inovando ao assumir seu gris, inove tendo o corte que te agradar – seja ele máquina 3 ou até a cintura!

Inovadora você! Mas vai manter esse cabelão? Grisalho geralmente é curtinho, né?

Inovadora você! Mas vai manter esse cabelão? Grisalho geralmente é curtinho, né?

Outra balela é essa história de que cabelo branco é rebelde. Cabelo danificado e com química é rebelde, isso sim!

Então, faça um favor para você mesma – já que vai abandonar a tintura, abandone os cosméticos pesados (com petrolatos, silicones e afins). Você vai ver como seu cabelo vai ficar muito melhor.

Usar cabelo gris ou branco como escolha é novidade, então você ainda vai ver muito olhar torto e ouvir muita bobagem de cabeleireiro. Mas aceite seu cabelo como é e, acredite, você não vai arrepender. ;)