Um ano depois

Esse mês completei um ano de processo gris.

Faz um ano que não pinto nem corto o cabelo. Isso porque quero deixar ele crescer. Quero ele comprido e gris. Sei que vai contra o “senso comum” de que cabelo gris tem que ser curto, mas acho que só vou curtir o meu 100% quando ele estiver abaixo do ombro.

(2015) Elisa Colepicolo-10 (2015_06 e 07) Restauração MN - Cadeira Giratória  -11

Sarah Harris, ídala, vou ter cabelão igual você, fia! rsrs…

Se você me perguntar como foi passar por esse processo durante esse ano vou dizer que não foi muito fácil não. E vou te explicar as fases.

1. Decisão

Quando decidi parar com a tinta estava com o cabelo bem curtinho. Achei que seria a hora certa de tentar, já que meu cabelo estava preto e a raiz crescendo no cabelo comprido dá um contraste fortíssimo, tipo “desleixo” mesmo. Foi uma boa decisão por um lado, mas hoje percebo que não necessariamente precisava ser assim. A Lia Amancio, por exemplo, encarou o cabelo tricolor num tamanho médio e talvez tenha sido até mais fácil, já que ela não teve que adaptar o corte também, só a cor.

Penso que se eu, com cabelo comprido ainda, resolvesse largar a tintura, poderia ir tonalizando com chás ou algo do tipo até o branco ter o tamanho suficiente para cortar as pontas tingidas. Seria uma solução.

Ou mesmo com cabelo curto, poderia ir tonalizando com os tais chás até chegar no tamanho que funcionasse melhor gris.

Enfim. Decidi abdicar de uma vez e assim fiz.

2. Acostumando

Acordei muitas manhãs e tomei um susto ao, ainda sonolenta, me olhar no espelho. 32 anos de cabelos castanhos ou pretos contra 1 de cabelo gris dá nisso.

Olhava no espelho e não me reconhecia. Pensei em desistir MUITAS vezes. Mas aí pensava: deixa o cabelo crescer primeiro pra ver como fica, depois você decide. É o que estou fazendo.

Tem dias que gosto muito, tem dias que desgosto. Quando estava mais curto, que a parte do topo da cabeça ficava bem gris e a nuca bem escura era pior. Quando ele começou a crescer mais e as mechas de cima começaram a sobrepor as mechas da nuca comecei a ficar mais feliz. Agora parece que eu fiz luzes cinzas.

3. Vida nova

Assumir o gris muda a vida. Porque você tem que tomar um mega cuidado pra não ficar com cara de velha. Não pode desleixar. Não dá pra usar aquela roupa surrada que às vezes você usava pra ir à padaria. Agora tem que ser mais cuidadosa com o visual todo, senão você fica apagadíssima.

Algumas roupas deixaram de combinar comigo porque chamar ainda mais atenção pro cabelo. O estilo acaba mudando. Eu, por exemplo, voltei a ser mais rock and roll. O estilo “florzinhas” tende a deixar a sensação de “velhinha”, então tem que passar a ter um estilão. Porque essa coisa meio sem personalidade pode te deixar com a cara da sua bisavó.

4. Os outros

“Você fez no salão ou…?”, “Não é possível que você tenha tantos cabelos branco, você é tão nova!”, “Não acredito que você fez isso!”, “Seu cabelo está incrível!”, “Ah, eu não faria isso!”…

Sim, você vai ouvir muitos comentários. MUITOS. As pessoas interagem muito com mulheres que resolvem assumir o cabelo gris antes do “padrão”. Se sentem impelidas à. Porque não entendem a decisão, porque sentem vontade e não tem coragem, porque acham bacana mas ainda não tem cabelos brancos pra isso. E interagem.

Ouço elogios de pessoas desconhecidas, coisa que nunca aconteceu antes. Passo por sabatina de perguntas dos conhecidos. Percebo pessoas encarando meu cabelo fixamente por muito tempo.

E no fim das contas recebo 95% de apoio contra 5% de dúvida. Porque não chegam a denegrir. Se não gostam, não falam. Quem fala, ou elogia ou pergunta, nunca critica.

5. Tingir, tonalizar ou assumir

TINTURA NUNCA MAIS. Posso até usar tonalizante industrializado (não pretendo), mas colocar aquela bomba química no meu cabelo não mais. Acredite, esse troço DETONA o cabelo. Sem tintura, o cabelo volta a respirar, a ter ser contorno natural, a ter brilho. Quem tinge o cabelo fala “o branco é rebelde”. Não é bem isso. O branco é mais grosso sim e tende a desidratar mais, mas o que torna o cabelo rebelde é a tinta. O cabelo fica enfraquecido e espiga, sem ter tratamento que realmente resolva já que tem uma camada grossa de produtos químicos sobre ele, impedindo que a hidratação natural aconteça.

Então, se você ainda não criou coragem de assumir seu gris, comece descartando a tintura. Passe pra um tonalizante ou pra uma coloração caseira a base de chá. É só procurar na internet, tem várias receitas (geralmente com chá preto e sálvia). Já vai ser um bom começo.

6. Futuro

As pessoas falam: “ah, novinha assim é fácil! Quero ver quando você for mais velha. Aí vai ver que o cabelo branco envelhece muito mais.” Eu penso nisso. Não sei se vai ser verdade. Acho que quando eu tiver 50 minha cabeça vai ser toda branca, igual à Vera Holtz. Se for, ótimo. Faço um corte mordernão e encaro. Se não, não sei dizer. Acho que se parar de me achar bonita volto a tonalizar. Pode ser amanhã ou com 50. O que vale é se sentir bem. E por enquanto eu tou bem assim.